A importância do trabalho humano e suas consequências econômicas numa época de acelerada evolução tecnológica

O trabalho é a maneira pela qual o ser humano transforma a realidade, usando-o para modificar os elementos ambientais, conforme seus objetivos. Ao raciocinar, aprender e fazer inferências sobre o meio em que se encontra, e utilizando elementos naturais ao seu redor como ferramentas (cujas mãos foram as primeiras), sempre no intuito de facilitar ao máximo sua sobrevivência e bem estar, bem como de saciar sua enorme curiosidade, o ser humano acaba por modificar profundamente o próprio meio natural e, consequentemente, a si mesmo. Apesar de outros animais também o realizarem, o homo sapiens é o maior perito nesta área, tendo sido naturalmente moldado a possuir alta capacidade de aprendizado e a desenvolver e utilizar ferramentas, que tornaram-se cada vez mais complexas devido ao acúmulo de informação ao passar do tempo.

Para manter nossas sociedades, que se tornavam cada vez mais numerosas e com expectativas de vida cada vez maiores em decorrência da própria evolução contínua do conhecimento e da tecnologia, tivemos que potencializar constantemente as capacidades humanas por meio da criação de novas ferramentas e técnicas, para assim conseguirmos produzir os recursos necessários em quantidade suficiente. A mecanização foi um grande salto neste sentido, com a existência de ferramentas mecânicas complexas e pesadas, de moinhos a tratores e navios, que aumentaram imensamente a produtividade no campo e na indústria. Após algum tempo houve a introdução da automação, que consiste na automatização da tomada de decisão, antes realizada só por humanos, agora passava também a ser realizada de forma automática por meio de dispositivos eletrônicos e de softwares. Máquinas passaram a ser utilizadas em trabalhos cognitivos, que necessitam de abstração, análise de informações e feedbacks do ambiente, invadindo também o setor de serviços, não se limitando apenas ao campo e à indústria. Paralelo a isto, outras tecnologias e métodos desenvolvidos (bioquímica, nanotecnologia, internet, telecomunicações, metamateriais, engenharia genética etc.), também foram utilizados para aumentar extremamente a produtividade e a eficiência. Conforme a evolução tecnológica exponencial acelera cada vez mais, com novas tecnologias sendo usadas para criar outras tecnologias ainda melhores de forma sucessiva e em intervalos de tempo cada vez mais curtos, nos encontramos agora num ponto onde estas ferramentas disruptivas começam a se tornar problemas fatais para a estabilidade do sistema econômico global vigente, que está agora impossibilitado de sustentar-se devido ao contexto tecnocientífico atual.

682px-Shadow_Hand_Bulb_largeO problema de desestruturação da economia decorre do fato de que, devido a todo o contexto tecnológico contemporâneo, o trabalho humano está sendo cada vez menos utilizado, criando um problema de desvalorização dos bens e serviços produzidos, além do achatamento dos salários e aumento do desemprego e do subemprego. Ocorre que o trabalho humano possui limites estreitos no que se refere à produtividade. Isto se dá por que ficamos cansados, com fome, doentes, entediados e por que somos muito limitados em força física e em velocidade, tanto de locomoção como de processamento de informações, o que leva a um limite pequeno para o nível de produtividade ao qual podemos alcançar. Ao contrário do trabalho das máquinas, que é incansável e várias vezes mais rápido e mais preciso, além de evoluir constantemente conforme aprimora-se a tecnologia e o conhecimento científico. Existe, assim, uma relação onde, quanto menos trabalho humano houver, mais abundância existirá. Ou seja, quanto mais automatizamos os trabalhos e os tornamos mais eficientes com o uso de todo tipo de tecnologia, mais abundância geramos e menos trabalhadores humanos são necessários, enquanto que quanto mais trabalho humano usamos, mais escassez é criada, visto que somos extremamente ineficientes comparados às máquinas. Em síntese, o trabalho humano gera escassez e esta escassez é o que transfere valor ao que é produzido, sendo este o mecanismo exato pelo qual se valora a mercadoria na proporção em que se utiliza trabalho humano para produzi-la.

Como se sabe, quanto maior a quantidade de algo, menos ele valerá. Mesmo coisas que possuem valor subjetivo, como os diamantes, por exemplo, se produzidos em abundância, seja por uma nova tecnologia de escavação, da identificação de novas jazidas ou por meio da produção de diamantes sintéticos, o seu valor cairá. O fato é que, ao nos encontrarmos num cenário onde praticamente tudo é abundante, sendo facilmente e rapidamente produzido devido a automação e tecnologias modernas em geral, as coisas deixam de ter valor ou passam a valer bem menos, levando a uma queda constante da taxa de lucro geral, a patamares onde não vale a pena investir capital, pois não há retorno necessário para tornar economicamente viável novos investimentos produtivos, o que faz o crescimento da economia diminuir. Além disto, com esta queda estrutural da lucratividade, o que resta aos capitalistas para tentarem manter em alta os lucros de suas empresas, é periodicamente pressionar pela diminuição dos direitos trabalhistas e dos salários. Dando-se também o achatamento dos salários devido ao excesso de trabalho humano disponível, visto que se torna cada vez menos necessário e menos desejado. Junto a isto temos também o desemprego e subemprego ocasionados pela substituição dos trabalhadores humanos por máquinas. Tudo isto ajuda a reduzir o consumo por provocar a erosão da renda, resultando no enfraquecimento da demanda e piorando ainda mais a situação, pois, contraditoriamente, ao mesmo tempo em que se tem superprodução de produtos e serviços, há também um baixo consumo. Outra contradição estrutural surge do fato de que, apesar do aumento da produtividade e da eficiência geral ocasionar estes sérios problemas a todo o sistema econômico, para cada empreendedor capitalista ainda assim é vital continuar a perseguir constantemente o aumento da produtividade pela implementação de novas tecnologias, para que se mantenha competitivo e não seja eliminado do mercado, ou seja, trata-se de uma questão de sobrevivência.

Desta forma, chegamos atualmente a um ponto onde praticamente só investindo no mercado financeiro, de valores fictícios desconectados da produção real, é que o investidor pode ter um nível elevado de lucros, sendo o mercado financeiro a maior parte do sistema econômico nos dias de hoje. Isto tem levado a bolhas financeiras cada vez maiores que, quando estouram, arrastam a economia global para o caos, como temos visto durante este começo de século. Não havendo outra alternativa mais rentável para o rendimento do seu capital, o investidor inevitavelmente continuará investindo primordialmente na economia financeira, o que só irá piorar o problema e produzir crises cada vez maiores, juntamente com uma concentração de renda absurda e turbulências sociais. Todo este contexto onde, de um lado temos uma economia real desvalorizada pelo baixo retorno lucrativo e superprodução com baixo consumo e, por outro lado, um sistema financeiro instável com sucessivos estouros de bolhas cada vez mais gigantescas, nos leva a entender que brevemente o sistema econômico chegará à sua inviabilidade prática. O tempo está passando e temos que definir o que vamos colocar no lugar. As possibilidades são enormes no que se refere a um novo sistema global de liberdade e abundância. Porém, a possibilidade do ressurgimento de totalitarismos e formas de dominações na esteira do caos social ainda existe.

Autores pesquisados para a elaboração deste artigo:

Karl Marx

Raymond Kurzweil

Jacque Fresco

Outras referências:

http://www.resumenlatinoamericano.org/2016/07/07/alertas-rojas-senales-de-implosion-en-la-economia-global-el-capitalismo-global-a-la-deriva/

http://resistir.info/crise/natureza_da_crise_27mai16.html

http://www.umanovaformadepensar.com.br/

http://robosvaoroubarteuempregomasok.blogspot.com.br/2014/12/indice.html

http://www.kurzweilai.net/

https://www.thevenusproject.com/

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2 Responses

  1. Nilton Pessnha disse:

    Porque não temos links nos artigos para publicá-los nas redes sociais?

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