A Maioria das pessoas prefere que o computador decida

Traduzido por Carina Albrecht a partir do original em inglês em ZeitNews.

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Quando indivíduos realizam entre si transações de negócio arriscadas, podem acabar se decepcionando. Por essa razão, preferem deixar a decisão de como dividir recursos financeiros para o computador ao invés do seu parceiro de negócios. Essa estratégia subconsciente parece ajudar a evitar emoções negativas associadas à quebra de confiança. Esse é o resultado de um estudo realizado por cientistas  da Universidade de Bonn, na Alemanha, e seus colegas dos Estados Unidos. Eles apresentam os resultados do estudo no jornal científico Proceedings of the Royal Society B.

Confiança é base essencial para relacionamentos de negócios. Porém, essa base pode ser abalada se uma das partes do negócio apresentar um comportamento desonesto. “Todos sabemos que a confiança pode ser destruída quando se trata de negócios arriscados”, explica o professor Dr. Bernd Weber, do Centro de Economia e Neurociência da Universidade de Bonn. “Como resultado, as pessoas receiam  confiar umas nas outras.” Cientistas chamam essa atitude de “aversão à traição” – pessoas tentam evitar serem decepcionadas por uma possível quebra de confiança.

Em um estudo recente, o professor Weber e seus colegas americanos, o professor Dr. Jason A. Aimone da Universidade Baylor e o professor Dr. Daniel Houser da Universidade George Mason, examinaram em experimentos os efeitos que a aversão à traição tem sobre decisões financeiras simples. Um total de 30 participantes jogaram um jogo de computador na Universidade George Mason em Arlington, estado de Vancouver (EUA), que prometia dinheiro real aos ganhadores. No Centro Vida & Cérebro da Universidade de Bonn, o mesmo número de participantes realizou decisões baseadas nos resultados do experimento anterior. Enquanto esses indivíduos do experimento em Bonn respondiam às decisões feitas anteriormente pelos seus parceiros de jogo em Arlington, suas atividades cerebrais foram medidas por imagens de Ressonância Magnética (IRM).

 

Compartilhar de forma justa ou lucrar à custa de outra pessoa?

 

Nesse experimento, os indivíduos analisados em Bonn podiam escolher se eles e seus colegas nos EUA receberiam somente 1 euro cada, ou se eles gostariam de receber um valor dividido maior – por exemplo, 6 euros. Porém, a última opção teria um fator de risco. Por exemplo, um jogador dos EUA poderia ganhar até 5,6 euros enquanto o jogador de Bonn ficaria com apenas 40 centavos. A divisão da quantia, que seria o segundo passo, poderia ficar por conta de um dos jogadores ou do computador. Porém, o computador estava programado para realizar exatamente as mesmas decisões que um real participante do teste. “Portanto, do ponto de vista de ganhos, não havia nenhuma diferença se um outro jogador ou o computador realizasse a divisão da quantia,” explicou o professor Weber. “E essa informação foi explicitamente comunicada aos participantes do experimento desde o início.”

Mesmo sabendo que o resultado seria exatamente igual no final, mais participantes confiaram no computador. Quando o dinheiro era dividido pelo computador, 63% dos participantes confiaram no processo e somente 37% preferiram ficar com apenas 1 euro. Mas quando a decisão era feita pelos seus colegas humanos, apenas 49% dos participantes confiaram neles – 51% preferiram ficar com a menor e mais segura quantia de 1 euro. “Esses resultados mostram que mais participantes preferem deixar decisões nas quais podem ser traídos a cargo de um dispositivo impessoal, evitando assim os sentimentos negativos gerados por terem confiado erroneamente em um ser humano”, diz o professor Weber, acrescentando que obviamente uma quebra de confiança cometida por um computador impessoal gera menos estresse emocional do que se tivesse sido cometida por um parceiro de negócios privado.

 

A ínsula frontal do cérebro estava especialmente ativa

 

Os participantes do experimento da Universidade de Bonn também apresentaram atividades cerebrais bem interessantes, medidas pela IRM. Durante o processo de tomada de decisão financeira, a ínsula frontal estava especialmente ativa quando era um outro jogador quem realizava a decisão de como dividir a quantia. “Essa área do cérebro está sempre envolvida quando emoções negativas como dor, decepção ou medo são ativadas”, explicou o professor Weber. Ele acrescenta ainda que o fato de que a ínsula frontal estava ativa é uma indicação clara de que emoções negativas desempenharam um papel importante nessas situações.

Decisões financeiras são bastante complexas. “Esse é um fenômeno contrário. Muitos estudos mostram que o anonimato de parceiros de negócios na Internet resulta em perda de confiança,” diz o professor Weber. “Mas os nossos resultados indicam que esse anonimato pode também ajudar a evitar emoções negativas.” Ele acrescenta que esses processos de decisão em transações financeiras ainda precisam ser estudados em maiores detalhes.

 

Fontes:

Alpha Galileo

Proceedings of The Royal Society

 

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