A Terceira Revolução Industrial

Como a Internet, Energia Verde e Impressão 3-D estão inaugurando
uma era sustentável de Capitalismo Distribuído
(tradução livre a partir do original em inglês em ZeitNews.org)
rifkin

As grandes revoluções econômicas da História ocorrem quando novas tecnologias de comunicação convergem com novos sistemas de energia. Uma revolução energética torna possível um intercâmbio comercial mais expansivo e integrado. A revolução nas comunicações, que a acompanha, permite gerenciar essas novas e complexas atividades comerciais, tornadas possíveis pelos novos fluxos de energia.

Atualmente, as tecnologias da Internet e das fontes de energia renováveis estão começando a convergir para criar uma nova infra-estrutura para uma Terceira Revolução Industrial (TRI) que irá mudar a forma como o poder se distribui no século 21. Na era que se aproxima, centenas de milhões de pessoas produzirão sua própria energia renovável em suas casas, escritórios e fábricas e compartilharão energia verde entre si em uma “Internet Energética”, da mesma forma que hoje nós geramos e compartilhamos informação on-line. A formação de um sistema de energia renovável, carregado a partir de casas e edifícios, parcialmente armazenado na forma de hidrogênio, distribuído através de uma rede de energia verde, e conectado a sistemas de transporte de emissão zero, abre as portas para a Terceira Revolução Industrial.

Enquanto a economia da TRI possibilita que milhões de pessoas produzam sua própria informação virtual e energia, uma nova revolução digital da manufatura levanta agora a possibilidade de produção própria de bens duráveis. Nessa nova era, qualquer um pode vir a ser seu próprio fabricante de bens, da mesma forma que terá seu próprio site e será sua própria companhia de energia. O processo chama-se Impressão 3-D; e ainda que soe como ficção científica, já está no ar e promete mudar completamente a forma como pensamos a produção industrial.

Pense em apertar o botão de imprimir em seu computador e enviar um arquivo digital a uma impressora jato-de-tinta, exceto que, com uma impressão 3-D, a máquina gera um produto tridimensional. Utilizando recursos de CAD, o software orienta a impressora a gerar sucessivas camadas do objeto com o uso de plásticos, pós ou metais para materializar as formas. A impressora 3-D pode produzir múltiplas cópias exatamente como uma máquina fotocopiadora. Todo tipo de bens, de jóias a celulares, peças de automóvel ou de aviões, próteses médicas e baterias estão sendo impressas no que está sendo chamado de “manufatura aditiva”, a qual distingue-se da “manufatura subtrativa”, que envolve corte e partição dos materiais para montá-los.

Empreendedores 3-D são particularmente otimistas sobre a manufatura aditiva, pois o processo requer tão somente 10% da matéria prima usada na manufatura tradicional e usa menos energia que uma fábrica convencional, reduzindo assim drasticamente os custos.

Da mesma forma que a Internet reduziu radicalmente custos de geração e disseminação de informações, dando origem a novos negócios como Google e Facebook, a manufatura aditiva tem o potencial de reduzir drasticamente os custos de produção de bens duráveis, tornando os custos suficientemente baixos para encorajar centenas de milhares de miniprodutores - empresas de pequeno e médio porte – a desafiar e potencialmente superar os gigantes da indústria que estavam no centro das economias da Primeira e Segunda Revoluções Industriais.

Companhias start-up já estão entrando no mercado de impressão 3-D com nomes como Within Technologies, Digital Forming, Shape Ways, Rapid Quality Manufacturing, Stratasys, Bespoke Innovations, 3D Systems, MakerBot Industries, Freedom of Creation, LGM e Contour Crafting, e estão determinadas a reinventar a própria idéia de manufatura na terceira era industrial.

A energia poupada a cada etapa do processo de manufatura digital, desde a redução na quantidade de material utilizado até o menor dispêndio de energia na fabricação do produto, se aplicada através de toda economia global, leva a um ganho de qualidade em eficiência energética além de qualquer coisa imaginável na primeira e segunda revoluções industriais. Quando a energia usada para alimentar o processo de produção é renovável e ainda gerada on-site, o impacto total dessa revolução torna-se fortemente notável. Considerando que aproximadamente 84% dos ganhos de produtividade na produção industrial e na indústria de serviços são atribuídos a ganhos de eficiência termodinâmica – apenas 14% dos ganhos de produtividade são resultado de capital investido em força de trabalho – nós começamos a captar o significado do enorme ganho de produtividade que acompanhará a Terceira Revolução Industrial e o que isso significará para a sociedade.

A democratização da produção está sendo acompanhada pela queda dos custos de marketing. A Internet transformou o marketing de uma despesa significativa em um custo negligenciável, permitindo que start-ups e empresas de pequeno e médio porte comercializem seus produtos e serviços em sites, como o Etsy, que estendem-se através do espaço virtual e possibilitam competir e mesmo superar muitas das gigantes empresariais do século 21.

À medida que a nova tecnologia 3-D se propaga, a fabricação de produtos personalizados just-in-time e on-site também reduzirá os custos logísticos, com a possibilidade de grande economia de energia. O custo de transporte de produtos irá despencar nas próximas décadas devido a uma crescente lista de produtos que serão produzidos localmente em milhares de microfábricas e transportados regionalmente por caminhões abastecidos por energia verde e hidrogênio gerado on-site.

A escala horizontalizada da Terceira Revolução Industrial faz pequenas e médias empresas florescerem. Ainda assim, companhias globais não desaparecerão. Em vez disso, elas irão cada vez mais se metamorfosear de produtores primários e distribuidores em agregadores. Na nova era da economia, seu papel será de coordenar e gerenciar as múltiplas redes que movem o comércio e negócios através da cadeia produtiva.

O rápido declínio nos custos das transações provocado pela Terceira Revolução Industrial está conduzindo à democratização da informação, energia, produção, marketing e logística, e ao prenúncio de uma nova era de capitalismo distribuído que é como mudar a própria maneira com que pensamos a vida econômica no século 21.

Para um olhar mais detalhado sobre como a impressão 3-D na Terceira Revolução Industrial irá transformar a economia global, leia o material de Jeremy Rifkin no zeitnews.org.

Jeremy Rifkin é autor do best seller “The Third Industrial Revolution, How Lateral Power is Transforming Energy, the Economy, and the World”. É consultor da União Européia e de chefes de Estado ao redor do mundo. É instrutor senior no Wharton School’s Executive Education Program na Universidade da Pennsylvania e presidente da Foundation on Economic Trends, em Washington.

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1 Response

  1. O marcador de blog em site direciona para 11 posts relacionados a Terceira Revolução Industrial – Jeremy Rifkin

    Ressalto:
    Analisando o efeito, no EMPREGO, de cada um dos Cinco Pilares da Terceira Revolução Industrial
    http://reflexeseconmicas.blogspot.com.br/2012/10/terceira-revolucao-industrial-melhora.html

    Trecho:
    A Terceira Revolução Industrial tem como marca central a rede de energia/internet. O fundamental não está na energia, na internet ou na noção de rede, e sim na junção das três: não só a energia, mas parte crescente da prosperidade do século XXI virá de uma organização social assinalada pela descentralização, pela cooperação e pela partilha.

    A narrativa da Terceira Revolução Industrial apóia-se em cinco pilares:

    · O primeiro está na passagem (nada trivial, é claro) das energias fósseis para as renováveis.

    · O segundo, e talvez mais importante dos cinco pilares, é a transformação do estoque de construções de todo o mundo em micro usinas de coleta (e de distribuição) de energia. (Auto suficiência e excedentes vendidos à rede => Dispositivos eólicos, solares e biodigestores / processadores da biomassa (esgoto e restos de alimentos)).

    · O terceiro pilar está em tecnologias que permitirão armazenar (para se poder, então, distribuir) o produto dessas fontes inevitavelmente instáveis de energia de que são potencialmente dotadas as edificações.

    · O quarto pilar – que os dispositivos da economia da informação em rede possam promover a integração e a partilha desse fluxo de energia produzido de maneira descentralizada. Aí reside a nova unidade entre comunicação e energia. São redes inteligentes, bidirecionais, que operam com base em energias produzidas localmente, ao contrário das duas revoluçõesindustriais anteriores. A WEB Energética, onde todos são produtores e consumidores de energias limpas.

    · O quinto pilar está no sistema de transportes, que dará maior peso aos equipamentos coletivos e também, no que se refere aos veículos individuais, aos carros elétricos e baseados em células combustíveis, integrados igualmente a esse sistema descentralizado de redes inteligentes.

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