Bilionário sugere semana de 3 dias

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Durante a última semana, repercutiu bastante na imprensa brasileira (por exemplo, aquiaqui, aqui, e aqui) a declaração do empresário mexicano Carlos Slim de que a semana de trabalho deveria ser reduzida para 3 dias. Os objetivos seriam reduzir o desemprego e incentivar a inovação no uso do tempo livre. Pela proposta, trata-se mais de uma flexibilização de horário do que de uma redução significativa de carga horária, já que cada dia teria uma jornada superior a 10 horas diárias. A redução seria compensada economicamente pela maior produtividade e por um maior tempo de “vida útil” dos trabalhadores, que teriam uma vida mais saudável.

Apesar da repercussão junto à grande mídia, por vir de um megaempresário, a ideia não é nova. Há alguns anos se fala na necessidade de redução da jornada de trabalho, principalmente em face da automação do trabalho e o consequente desemprego tecnológico. A preocupação com um maior uso do tempo livre, para que as pessoas se dediquem a outras atividades e realizações, também não é nova. É quase tão antiga quanto a percepção de que, atualmente, o que conta é o conhecimento e a criatividade, que requerem tempo para seu desenvolvimento.

Contudo, a mídia convencional tradicionalmente foca essas questões no aspecto da geração de emprego e da manutenção de níveis de consumo (tanto pela geração de emprego como pela promoção do tempo livre). O que raramente se fala é do esgotamento de um sistema econômico baseado em trabalho, em uma realidade emergente em que o trabalho humano é cada vez menos necessário em face do avanço tecnológico; em uma sociedade em que os maiores problemas não são tratados via interesses econômicos, mas pela ação voluntária de indivíduos dotados de tempo e disposição.

Ainda assim, o noticiário reflete a emergência dessa realidade frente a um mundo fortemente voltado para a cultura do trabalho como finalidade.

Nota: na categoria “Mídia”, falaremos de temas de relevância para o Movimento Zeitgeist que sejam abordados em matérias da mídia convencional, analisando o foco dessas matérias e contrapondo a visão de membros do movimento.

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