Crítica aos membros do MZ

Não tem jeito: somos todos muito suscetíveis ao ambiente em que vivemos e influenciados pelo comportamento e crenças das pessoas com as quais convivemos. Sempre que aprendemos um conhecimento novo ou começamos a participar de algum grupo com o qual profundamente nos identificamos, rapidamente adotamos o “vocabulário” daquele grupo e, muitas vezes, mesmo que inconscientemente, desejamos que outras pessoas também participem dessa nova experiência.

Essa nossa maleabilidade mental é muito positiva, pois prova que os seres humanos podem, a todo momento, mudar e adotar posturas socialmente benéficas. Por outro lado, se nos descuidamos e tentamos forçar nossos recém adquiridos conhecimentos para cima de outras pessoas, podemos correr o risco de parecermos chatos, desagradáveis ou, em casos mais extremos, fanáticos.

O Movimento Zeitgeist tem por objetivo promover uma reavaliação de valores sociais atuais e instaurar uma mudança positiva de consciência. No entanto, uma mudança de verdade não acontece do dia para a noite e não é difícil perceber que alguns membros dessa organização às vezes adotam iniciativas que não são nem um pouco eficientes, por assim dizer.

Uma das habilidades mais admiráveis e nobres que podemos encontrar em alguma pessoa ou grupo é sua capacidade de criticar a si mesmo, adotar novas atitudes e continuamente se reinventar. Dito isso, seguem algumas práticas que deveriam ser evitadas por membros dessa ou qualquer outra organização.

Impossibilidade de escutar os outroscmmz_1

Diria que esse é um problema da grande maioria das pessoas: fazer a sua visão de mundo valer mais que a visão de mundo dos outros.

A capacidade de comunicação é um dos maiores trunfos do ser humano, pois permite nos conectar com a “alma” das pessoas e, de forma única, entender sua mensagem e intenção. Por mais fantástica que seja, as pessoas ainda não colocam muito tempo e energia a fim de aperfeiçoar essa competência. E isso deveria ser um diferencial dos membros do Movimento Zeitgeist, pois se a nossa intenção é mudar a sociedade então que primeiro aprendamos a nos comunicar de forma eficiente.

image4666Sempre ter respostas simples para problemas complexos

É uma predisposição bastante arrogante de algumas pessoas a de assumir que possuem conhecimento avançado de várias soluções para o mundo quando apenas assistiram à meia duzia de documentários na internet. E isso é uma falha bem visível de vários membros do MZ, que na ânsia de trazer respostas aos problemas que enfrentamos enquanto sociedade, acabam divulgando determinadas notícias sem ao menos fazer uma pesquisa mínima sobre as mesmas.

Em tempos de Facebook, todos os dias é anunciada uma nova receita infalível para o tratamento do câncer – geralmente envolvendo Cannabis -, mas infelizmente esta informação se perde no meio de tantas outras alternativas.

Perder tempo com discussões sem sentido

É bastante natural que as pessoas possuam muitas dúvidas e questionamentos sobre o que é uma Economia Baseada em Recursos (EBR) e quais são os objetivos do MZ logo que entram em contato com o conteúdo do mesmo. Essa fase de amadurecimento de novos membros é necessária pois precisamos sempre agregar mais conhecimento e discutir determinados assuntos por vários ângulos.

Claro que é importante apontar aquilo que está errado na maneira como resolvemos nos organizar enquanto sociedade, mas alguns indivíduos parecer possuir uma inclinação constante para o conflito de ideias. Muitos desses mesmos indivíduos são literalmente “viciados” em discussão e não conseguem observar uma conversa qualquer sem colocar seu ponto de vista. E isso piora ainda mais quando os dois lados da discussão não têm a intenção de entender um ao outro, como mencionado antes.

Desnecessário dizer que você não pode impedir uma pessoa de apresentar seu ponto de vista e debater ideias, mas existem horas em que precisamos realmente alertar que… “Hey, essa conversa já perdeu o sentido há muito tempo”.

Obsessão pela “transição”rbe_path

Fascinante é o interesse que algumas pessoas apresentam por aquilo que chamam de “transição”. É uma palavra muito frequente nas discussões envolvendo EBR e por muitos bastante negligenciada.

Pois bem… Estamos colocando uma quantidade enorme de atenção em tentar imaginar – a partir da nossa percepção limitada das coisas – aquilo que seria uma transformação econômica global e quão maravilhoso seria o mundo a partir disso.

Nada errado em ser idealista e um tanto quanto sonhador, mas quando você toma uma perspectiva maior e procura observar como outras organizações gastam uma quantidade absurda de energia para realizar pequenas mudanças efetivas em suas comunidades locais, então você percebe o quão “mudar” é difícil.

Essa fixação “egoísta”, por assim dizer,  dos membros do MZ de perceberem a “transição” como algo próximo, fácil e inevitável deve desaparecer e uma nova disposição deve ser tomada, uma que valorize o trabalho em conjunto e promova uma abordagem inteligente para tomada de decisões.

Por mais importante que seja divulgar as informações apresentadas pelo MZ, nenhuma mudança real vai acontecer mesmo se todas as pessoas do mundo assistirem um ou dois filmes. As pessoas só aprendem quando experimentam de fato uma nova situação.

Para ser bem franco e direto: se você ainda não está se organizando com outras pessoas, discutindo estratégias reais de ação direta e de fato executando isso e observando os resultados, então você está bem longe de viver uma “transição”.

Desconhecimento do conteúdo do próprio MZ

O MZ é uma organização que promove informação. Muita informação! Não tem como esperar que todas as pessoas que se identificam com esse grupo consigam rapidamente entender cada aspecto do mesmo: tanto na questão do conteúdo que é divulgado quanto na forma que este escolheu se organizar.

Como qualquer outro grupo que procura desenvolver algum tipo de atividade, o MZ também precisa seguir algumas diretrizes que são aceitas e utilizadas globalmente. O Guia de Capítulos (Chapters Guide) é uma ferramenta fundamental para a organização de capítulos (nacionais, regionais e locais) e deve ser frequentemente consultado por pessoas que escolheram trabalhar mais diretamente com o MZ. Este e outros documentos de orientação podem ser acessados no “Diretório aos Ativistas“. O “TZM Defined” ainda está em processo de tradução, mas uma versão parcial em português pode ser encontrada aqui.

O conteúdo de discussões apresentado pelo MZ é bem diferente daquilo que é percebido nos meios de comunicação tradicional, então é natural que as pessoas levem um certo tempo para se acostumar a essa nova linha de pensamento. Como organização, precisamos sempre ter cautela e evitar que o MZ seja utilizado como plataforma de divulgação de informações que não têm relação nenhuma com o nosso propósito original. Isto acontece desde o início do MZ, e uma vez que a Internet é o que é, onde qualquer pessoa pode escrever qualquer coisa sobre qualquer assunto, é comum que pessoas, bem ou mal intencionadas, desvirtuem os objetivos do movimento.

A linha de ação do MZ já foi bastante explorada no artigo “Para que serve o Movimento Zeitgeist?“, entretanto é sempre bom lembrar o seguinte para as pessoas que insistem em atropelar nossas atividades com aquilo que elas acham que deveria ser feito: antes de tudo, estamos preparando o terreno para cultivar sementes que nunca antes foram semeadas. Você pode pegar a sua enxada e escolher em qual parte do terreno vai querer ajudar.

You may also like...

16 Responses

  1. sibele disse:

    Amei o texto, Michael :) tb fico doente com a obsessão pela transição

    • Michael Marques disse:

      Obrigado Sibele! Eu fiz aquela imagem que está no artigo para representar um “caminho divino” que muitos buscam percorrer. No final eu ia escrever “RBE”, mas seria muito zoação. :)
      As pessoas devem parar de sonhar com esse estrada colorida e focar naquilo que podem fazer agora.

  2. Júlio César Kauer disse:

    Outra crítica: existe uma tendência dos membros acreditarem que necessitamos de novas tecnologias mirabolantes, e acabam propagando pseudociência. Keppe motor, motores de Perendev, energia escalar, energia do vácuo, tudo isso é besteira pseudocientífica e vejo nossos colegas gastando tempo com isso. Quer saber o atual estado da tecnologia atual? o Zeitnews é uma ótima referência. Nós não precisamos de tecnologias novas, a Espanha está próxima a alcançar a suficiência energética, basicamente com geração eólica. O enfoque deveria ser a mudança cultural, é isso que realmente necessitamos, não devemos esperar um milagre tecnológico. Mas além desse tempo perdido, perdemos respaldo, quem vê de fora o movimento pode nos julgar como teóricos da conspiração.

    • Michael Marques disse:

      Bem lembrado! Eu odeio ver as pessoas utilizarem do MZ pra promover pseudociência. Por isso é importante acompanhar somente os canais oficiais do MZ, onde os materiais são melhor selecionados. Como você bem lembrou, o Zeitnews é uma ótima fonte de consulta.

  3. Ray (Gman) disse:

    Excellent, ‘spot on’ message, Michael! <3
    What we're attempting to do has NEVER been done before. It's going to take massive focus and intensity of purpose to keep this huge ship on course. We're all in this together (we have to be, or it can't work).

  4. Vitor disse:

    Realmente bom o texto. Acrescentaria o fato de que alguns costumam ser radicais em relações a algumas coisas com pouca ou nenhuma base para argumentação, e aí acaba que debates e problemas se desvirtuam para o lado pessoal. Acredito que em vez de seguir algo deveria-se debater com mais profundidade.

    Rotular e se apegar a ideias é comum às pessoas, mas quando adotamos a visão cientifica e holistica, não importa que mudemos de opinião, mas se há sentido na mudança. E concordo com o que disses que aguns simplificam demais sem conhecimento de causa. E aí começa o fanatismo que é totalmente oposto a uma visão cientifica dos problemas do mundo.

  5. Elton disse:

    texto muito bom, leitura obrigatória para iniciantes, pois a imaturidade leva a esses comportamentos errôneos que você listou, só a maturidade vai fazendo eles entenderem muitas coisas

  6. Lélio disse:

    Muito bem pontuado o texto.

  7. Lélio disse:

    Muito bem pontuado o texto.
    Esses problemas são mesmo recorrentes.

  8. rafael disse:

    cheguei agora no blog e este foi o primeiro texto que eu li aqui. E sinceramente, acho que está foi uma ótima recepção!
    Obrigado por esta importante reflexão!

  9. Daniela Dourado disse:

    Cara…. Que massa… Adorei e até me vi em alguns momentos!!!
    Refletir um pouco agora!! Mas já agradeço pelo texto!! :)

  10. Mario disse:

    Existe aqui em São Paulo algum grupo sério que já se organizou para colocar em prática as propostas do MZ. ? Se alguém conhece pode mandar um e-mail para mim, teria imenso prazer em fazer parte disso. Grato !

  11. Carlos disse:

    Fantástico.
    As mudanças demoram. Principalmente para as coisas boas.
    Acredito que quando começar a acontecer, todos saberão. :)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>