Informação e mudança

Informação é o resultado do processamento, manipulação e organização de dados, de tal forma que represente uma modificação (quantitativa ou qualitativa) no conhecimento do sistema (pessoa, animal ou máquina) que a recebe. Quando a informação é repassada, torna-se então uma mensagem, que poderá ser recebida para novo processamento e/ou armazenamento. Utilizarei aqui a palavra informação também como sinônimo de conhecimento.

As seis épocas da evolução da informação

Segundo Korzweil, são seis os estágios pelos quais passarão a evolução da informação. Época 1 – Informação na estrutura atômica. Época 2 – Informação no DNA. Época 3 – Informação nos padrões neurais. Época 4 – Informação no hardware e software (estaríamos atualmente no final desta). Época 5 – Integração entre biologia e tecnologia. Época 6 – Super inteligência  expandindo-se por todo o universo (se chegarmos até lá). Clique na imagem para ampliá-la.

A informação tende naturalmente a se acumular, produzindo mudanças na realidade à medida que é acumulada e repassada. Tais mudanças permitem acumular ainda mais informação, produzindo mais mensagens e mais mudanças, num ciclo constante de crescimento e retroalimentação. Gerar e acumular informação são coisas inerentes à própria natureza. A informação pode ser gerada e armazenada por ela em vários formatos e de diferentes maneiras. Sistemas inanimados como, por exemplo, átomos ou as camadas de terra que contam a história geológica do planeta, também armazenam informação. Mas seres vivos possuem uma capacidade particular de processar e armazenar informação, seja no seu DNA ou em suas estruturas neurais. Através do lento acúmulo de mudanças nas informações codificadas no DNA, a evolução das espécies ocorre. E uma destas espécies produzidas pela evolução – os seres humanos – possui talento especial no processamento e acumulação de informações, por meio de suas estruturas neurais e tecnologias.

Mudanças Aceleradas

Grandes eventos ocorrendo de maneira cada vez mais acelerada. Em um eixo o tempo transcorrido até o próximo evento e, no outro, o tempo transcorrido antes do tempo presente, desde a origem da vida, há bilhões de anos atrás, passando pelos organismos multicelulares e cérebros humanos, até o computador pessoal. Clique na imagem para ampliá-la.

Humanos primitivos usavam apenas seus cérebros como processadores e recipientes de informações, além da oralidade e desenhos rudimentares como formas básicas de repassá-las. O acúmulo de informação pelos seres humanos, até então, era muito lento, mas com o tempo acabou por produzir importantes mudanças, o que levou, entre outras coisas, à criação da escrita, que possibilitou o conhecimento acumular-se e difundir-se com muito mais rapidez e em maior quantidade. Mas tudo ficou rápido de verdade quando este grande acúmulo de informação humana levou à criação da ciência e de tecnologias modernas. A partir daí houve uma explosão na produção e repasse de informação, o que levou a uma consequente avalanche de mudanças na civilização humana e no próprio ambiente natural. Este crescimento abrupto da informação e, consequentemente, da tecnologia, nos levou a algumas revoluções que marcaram profundas mudanças na humanidade, como a revolução industrial e a revolução da microeletrônica, tendo esta última nos catapultado diretamente para o que chamamos atualmente de “Era da Informação” ou “Sociedade da Informação”, onde o acúmulo e o fluxo de informações entraram num ritmo frenético, impulsionados principalmente pelas novas tecnologias de comunicação e informática, produzindo mudanças sociais cada vez mais rápidas e poderosas. Raymond Kurzweil, em sua Teoria das mudanças aceleradas, fala sobre como o acúmulo de conhecimento proporcionado pelas tecnologias tende a ser usado para criar novas tecnologias melhores, que produzem mais conhecimento que, por sua vez, criam novas tecnologias… e assim sucessivamente, num ritmo exponencial, culminando no que ele chama de singularidade tecnológica.

Este atual estágio que experimentamos, de grande acumulação de informações e rápidas mudanças causadas por elas, materializadas por meio de métodos e tecnologias cada vez mais sofisticados, pode ter dois desfechos, um bom e outro ruim. Ou iremos ser engolidos por tais mudanças, por não conseguirmos nos adaptar a elas em tempo hábil, retrocedendo em um grande colapso; ou iremos evoluir para um novo paradigma civilizacional jamais imaginado em outras épocas, iniciando uma sociedade global pós-escassez, com gigantesca qualidade de vida, sustentabilidade social e ecológica. A natureza, da qual somos partes constituintes, nos trouxe até aqui acumulando informação, desde as informações contidas nos átomos, passando pelas contidas no código genético, até as processadas e armazenadas por nossos cérebros e pelas tecnologias originadas deles, como uma continuação da própria natureza. Se não nos adaptarmos e nossa civilização colapsar, grande parte da informação acumulada até agora poderá desaparecer, talvez até mesmo a informação do código genético humano, nos levando à extinção. Temos também a chance de alcançarmos um novo e maravilhoso paradigma civilizacional se passarmos pela problemática transição (adaptação), transcendendo o tipo de civilização atrasada que somos, para um tipo de civilização muito mais avançada, dando continuidade a este processo como vetores da evolução natural da informação. A escolha é nossa!

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