Lidando com o mito da Superpopulação – Parte 1

Autor Desconhecido Parte 1 de 3 – Equilíbrio populacional e capacidade de sustentação alimentar do planeta

Este ensaio foi disponibilizado por um membro do Movimento Zeitgeist em Novembro de 2011, mas a autoria do mesmo perdeu-se, uma vez que o arquivo no qual o material foi armazenado não informa o nome do autor do trabalho. A linguagem é de uma conversa, pois parece ter sido dessa forma que o ensaio foi desenvolvido. Agradecemos ao autor, pois as informações são bastante elucidativas. E, por isso mesmo, merecem ser compartilhadas, para que mais pessoas tenham acesso a este conhecimento.

A Parte 1 introduz o assunto, demonstrando como sociedades com baixos níveis de pobreza tendem à estabilização populacional. Nesta parte também é demonstrado, através de cálculos, que o planeta é capaz de produzir, de forma sustentável, alimentação para pelo menos 10 bilhões de pessoas.  Boa Leitura!

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Crowd Segunda, 28 de novembro de 2011

Para começar, enquanto o sistema de mercado estiver em uso e lucro for a principal motivação para se fazer qualquer coisa, o que está descrito abaixo não acontecerá (empreendedores sociais, felizmente, não são motivados pelo lucro, mas isso é uma outra discussão) . No entanto, assumindo a existência de infra-estrutura necessária para atender às necessidades essenciais de todos (comida, água, abrigo, cuidados de saúde) e luxos essenciais (transporte, energia, educação, comunicação), a população deixará de aumentar e pode até começar a diminuir (ver este link).

Nações com níveis mais baixos de pobreza têm taxas de fertilidade em/ou abaixo dos níveis de reposição, enquanto as nações com maiores níveis de pobreza têm taxas de fertilidade bem acima das taxas de substituição, sugerindo fortemente que assim que as necessidades básicas de todos estiverem atendidas, pararia ou mesmo inverteria o crescimento da população. Além disso, um relatório da Organização das Nações Unidas (ver este link) prevê que a população global crescente para, no máximo, 10,6 bilhões em 2050 (no pior dos cenários, essencialmente). Por uma questão de simplicidade nos cálculos, vamos supor uma população global de 10 bilhões de pessoas.

inverniaderoUm sistema de hidroponia básica (ver este link) produz aproximadamente 33,4 kcal por dia e por m².

Escalonado para um acre (4.046 m²), 135.000 kcal por dia é produzido. A ingestão calórica recomendada é de 2.000 kcal/dia, portanto, um acre poderia facilmente alimentar 70 pessoas.

Assumindo que o básico da nutrição pode ser satisfeito sem carne (como vegetarianos sugerem poder provar), 0,4% da área terrestre do planeta total seriam necessários para alimentar 10 bilhões de pessoas com uma dieta baseada em vegetais (cálculos abaixo).

A área de terra necessária seria ainda mais drasticamente reduzida com técnicas como orbitropismo, aeroponia, e agricultura vertical. Entretanto, como nem todo mundo gostaria de adotar uma dieta baseada em vegetais e ainda quer comer carne, a produção de carne in-vitro promete atender às demandas de carne enquanto reduzindo drasticamente os custos ambientais e energéticos associados.

2048px-Barley_field-2007-02-22(large) Atualmente, 34 milhões de km² são utilizados para a produção de carne do mundo (ver este link), carne in-vitro exigiria apenas 340.000 km², 99% menos área (ver este link. O link original foi retirado do ar). Seriam usados também 26% menos de energia, 87% menos emissões de gases de efeito estufa, e 89% menos água que na criação de gado .

Muitos acreditam que vários anos passarão antes que esta tecnologia se desenvolva suficientemente (ver este link), no entanto, grupos como a PETA estão oferecendo grandes prêmios para equipes capazes de desenvolver isso mais rapidamente (ver este link).

Provavelmente serão ainda mais de 10 anos antes que carne in-vitro torne-se viável, no entanto muitas pessoas, mães e pais principalmente, estariam bastante dispostos a comer mais vegetais orgânicos se sua produção fosse mais simples. Um sistema de hidroponia bruto em seus quintais, ou um sistema comunitário de hidroponia para fornecer verduras orgânicas para todos reduziria significativamente o número de hambúrgueres consumidos.

20 * 10 ^ 12 kcal por dia, para 10 bilhões de pessoas

33,4 kcal por dia e por m²

20 * 10 ^ 12 kcal / 33,4 kcal por m² = 598,8024 * 10 ^ 9 m² para alimentar 10 bilhões

598.802,4 km² necessários para alimentar 10 bilhões. A área terrestre do planeta total é de 148,94 milhões quilômetros quadrados, ou seja, 0,4% da área terrestre do planeta total seriam necessários.

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“Este artigo não expressa necessariamente uma opinião do MZ, mas de seu autor.

O mérito está na contribuição para a discussão da linha de pensamento defendida pelo movimento.”

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4 Responses

  1. Gabriel disse:

    Com as técnicas avançadas de produção de alimentos, fico preocupado pelo peso da infraestrutura. Quantas toneladas de aço, concreto, vidro e plásticos serão precisos por hectare ? Na agricultura convencional (orgânica ou não), não há infraestrutura. É a terra e o céu. Tem ferramentas também, mas não tem chão de concreto, estrutura de aço e teto de vidro. Será que o custo / beneficio de gastarmos tantos recursos para economizarmos espaço vale a pena ? Sugiro que apenas a parte necessária da produção seja convertida para aquaponia ou fazendas verticais para evitarmos o custo da extração, processamento, transporte e manutenção dessas estruturas todas.

    • Graciela Kunrath Lima disse:

      Oi Gabriel!

      O modelo ideal provavelmente dependerá de análises de impactos e recursos, sem elas é realmente difícil definir o que é mais eficiente. É bem provável que se tenha um sistema misto, que variará na proporção de cada tipo de cultivo de acordo com a região. Porém, penso que após o impacto do investimento inicial, as fazendas verticais localizadas dentro das cidades poderiam diminuir custos, principalmente com transporte e desgaste/correção do solo.

      Por outro lado, possivelmente nem todo tipo de cultura será compatível com este tipo de produção – boa parte das árvores frutíferas demoram anos para crescer, e ocupam muito espaço, necessitando de terra para sobreviverem e se manterem. Talvez possam existir dentro das cidades “parques pomares” onde cada um pegue a fruta que quiser ao invés de ir no sacolão (quitanda, mercado, etc – os nomes variam Brasil afora), e que as frutas cresçam somente no seu ciclo natural (na sua “época”), o que diminuiria gastos com hormônios vegetais e transporte…

      Não existe uma ideia fechada sobre isso, mas sugestões de opções que podem contribuir para diminuir o impacto da produção de alimentos…

  2. Josney disse:

    Concordo com o Gabriel e eis um exemplo:

    “A aquaponia, que combina a criação de peixes e a agricultura, é sistema antigo usado pelos astecas e chineses. O que nós fizemos foi profissionalizar a técnica para a produção comercial”

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/03/150309_fazenda_urbana_berlim_cn.shtml

  3. Ataliba de Avellar disse:

    Esta é uma luz no fim do túnel !!! Uma possibilidade de continuação da vida neste Planeta do contrário nossos dias estão contados! A saída amorosa é a solução para todos, é difícil conciliar…Os que hoje criam gado produzem alimentos precisam se adaptar, diminuir sua ansiedades e buscar novas saídas e toda a humanidade quebrando paradigmas. Encontrar novas maneiras e o caminho deve ser o do Amor. Somos irmãos.

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