Lidando com o mito da Superpopulação – Parte 2

Autor Desconhecido

Parte 2 de 3 – Água e Área Ocupada

Este ensaio foi disponibilizado por um membro do Movimento Zeitgeist em Novembro de 2011, mas a autoria do mesmo perdeu-se, uma vez que o arquivo no qual o material foi armazenado não informa o nome do autor do trabalho. A linguagem é de uma conversa, pois parece ter sido dessa forma que o ensaio foi desenvolvido. Agradecemos ao autor, pois as informações são bastante elucidativas. E, por isso mesmo, merecem ser compartilhadas, para que mais pessoas tenham acesso a este conhecimento.

Acesse a Parte 1, caso ainda não tenha lido. A Parte 2 demonstra que há sistemas capazes de garantir água a toda a população, e que é possível minimizar a área ocupada por cidades se houver um redesenho das mesmas.  Boa Leitura!

—————————————————————————————————————————————————————–

Communal_tap_(standpost)_for_drinking_water_in_Soweto,_Johannesburg,_South_Africa_(2941729790)Valores para o consumo de água são muito difíceis de encontrar. Para estimativas (muito) conservadoras, nós assumiremos que 10 bilhões de pessoas usarão a mesma quantidade de água, como o americano médio: 378,5 litros por dia (ver o link).

Ignorando os sistemas de água cinza, compostagem sanitária, máquinas de lavar sem água, utilização de irrigação por gotejamento, hidroponia (ou aeroponia), carne in-vitro , etc, que iriam reduzir drasticamente a quantidade de água utilizada por pessoa, e assumindo 10 bilhões de pessoas, cada uma utilizando 378,5 L , o consumo diário de água seria de 3,785 km  cúbicos.

A quantidade de água na atmosfera são constantes 13.000 km cúbicos, e esta é totalmente reabastecida a cada 8 dias (ver o link). Isto significa, assumindo que 10 bilhões de pessoas sejam tão esbanjadoras como o americano médio, que 0,03% de toda a água na atmosfera atenderia às necessidades de água de cada indivíduo  e poderia ser facilmente extraída através de geradores de água atmosféricos integrados nos próprios edifícios, ou projetados em turbinas eólicas para nos fornecer eletricidade (ver o link).

Temos geradores de água atmosférica, capazes de produzir água potável a partir da atmosfera (ver o link).

O processo de dessalinização de águas oceânicas é conhecido, antigo já, simples e prático. O único problema dessa técnica é que é muito cara de se fazer em larga escala. E o motivo do alto custo é que o processo requer grandes quantidades de energia.

Mas, como será abordado mais adiante, energia não é mais um problema, pelo menos desde umas 5 décadas, estamos basicamente cercados de energia limpa, grátis, superabundante por todos os cantos do planeta, e agora temos os meios para explorá-las, que não são colocados em prática mesmo que beneficiem toda população e natureza, pois não satisfazem as necessidades de lucro de algumas empresas, ou melhor, de algumas pessoas. O sistema de mercado falharia em um dia se aplicássemos comida grátis e energia grátis para todos no planeta, não pode acontecer do ponto de vista do mercado, seria sua morte, porque há muito dinheiro e necessidade de serviços nesses dois setores que geram empregos nos quais o sistema todo se suporta. São setores grandes demais para ficarem open source e passarem completamente  por cima do mercado sem o destruir por completo.

Los_Angeles_Aerial_view_2013 (1)Redesenhar cidades (tecnicamente, as cidades nunca foram projetadas para começar) para que elas realmente satisfaçam as necessidades humanas ao invés de apenas aglomerar um monte de pessoas juntas, teria o impacto mais significativo na redução da quantidade de terra necessária para abrigar 10 bilhões de pessoas. Assumindo que as cidades são projetadas com um layout circular e que 45% de área da cidade é usada para habitação (os restantes 55% seriam destinados a produção de alimentos e água, educação, pesquisa e instalações médicas, instalações de lazer e entretenimento, etc), em torno de 1 milhão de pessoas poderiam ser acomodadas em uma  cidade de 60 km quadrados (diâmetro de 8,8 km – cálculos abaixo), e com apenas com 10.000 cidades facilmente atenderíamos as necessidades de 10 bilhões de pessoas, que cobririam 600.000 km², 0,4% da área total do planeta. Para comparação, hoje temos em torno de 320 mil cidades no mundo, considerando apenas as com mais de 20 mil habitantes.

60 km² x 45% = 27 km² para habitação

60% dos 27km² são alocados para casas unifamiliares e 40% são destinados para condomínios

3 pessoas (em média) em cada unidade de casa ou apartamento; cada complexo de condomínio tem 1.000 unidades

cada casa tem 4046 m² de terra, cada complexo tem 32.375 m² de terra

27 km² x  60% = 16,2 km²; 27 km² x 40% = 10,8 km²

4.004 casas por cidade, três pessoas cada; 333 complexos de condomínio com 1.000 unidades cada, cada habitação 3 pessoas

12.012 pessoas residentes em domicílios; 999.000 vivem em condomínios

Notas adicionais: Cada casa ou unidade de condomínio poderiam ter 185 m² de espaço vital, que seria o espaçamento entre residências. Alguns hotéis de luxo têm menos de 120 m². Entre as cidades, tudo volta ao natural exceto pelas vias de ligação entre cidades, que serão muito bem distribuídas uma vez que não haverá cidades muito maiores que as outras, não há razão pra isso, não haverá provavelmente concentrações populacionais muito grandes em qualquer lugar, mesmo beira-mar, lugares paradisíacos, etc, porque primeiro o sistema de transporte é rápido, eficiente, limpo, seguro e grátis, portanto você pode estar em qualquer lugar do mundo (sem precisar levar bagagem) rapidamente. Segundo, e mais obviamente, nenhuma cidade ofereceria muito mais benefícios que outra, tudo está no domínio público, e quando tudo é open-source, não há vantagens, quem não sabe fazer algo sempre pode aprender, não haverá mais “empregos”, ou mais “oportunidades” em uma cidade específica, o mundo todo é uma terra de oportunidades, e de fato com comunicações acessíveis a todos, provavelmente podemos trabalhar de qualquer lugar do mundo, interagindo com qualquer pessoa.

———————–

“Este artigo não expressa necessariamente uma opinião do MZ, mas de seu autor.

O mérito está na contribuição para a discussão da linha de pensamento defendida pelo movimento.”

You may also like...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>