Moralidade e Ética – Parte 3

*Parte 3 de 3 da tradução parcial do artigo “Morality and Ethics” escrito por Tio*

Para ler a parte 1, clique aqui.

Para ler a parte 2, clique aqui.

CIÊNCIA

Bater em pessoas, matá-las, escravizá-las, criar regras, torturar crianças e mulheres… tudo isto falhou miseravelmente para cimentar qualquer ideal de moralidade e ética. E, se pareceu funcionar em algum momento, foi apenas em função do medo e da propaganda repetidos em torno desses ideais.

youthprisonersNo entanto, pode-se dizer que existem algumas noções que todas as culturas podem ter visto como “boas”, incluindo a nossa cultura atual, tais como “não faça aos outros o que você não faria a si mesmo”, “cuide do meio ambiente”, “trate todas as pessoas como iguais”, etc. No entanto, até mesmo essas noções não têm um significado verdadeiro porque você não pode tratar todas as pessoas como iguais (alguns precisam de mais atenção e cuidados do que outros), ter cuidado com o meio ambiente não significa evitar queimar algumas florestas ou matar insetos ou outros animais (às vezes precisamos fazer isso para preservar um ambiente que só é adequado aos seres humanos), e talvez eu não queira me vacinar devido a crenças pessoais (e será que seria “correto” não vacinar meus filhos também)?

 

holding-money Hoje, temos métodos mais modernos para empurrar a “moralidade” e a “ética” de maneiras mais indiretas: através do dinheiro (como punição e recompensa), através da psicologia/psiquiatria (diagnosticando como doentes e dando drogas àqueles que têm uma personalidade diferente ou não estão acostumados à sociedade atual), e através da escola (notas, punições, etc.). Prisões, guerras, religião e outros são todos fatores por meio dos quais diferentes grupos de pessoas tentam empurrar suas próprias noções de “bom” e “mau” sobre os outros.

Contudo, todos esses elementos são basicamente os mesmos das abordagens antigas, porque eles perdem o foco. Na realidade, tudo se resume ao comportamento humano em relação ao ambiente. As circunstâncias mudam essas noções. Roubar comida quando você e sua família não têm nada para comer é algo consideravelmente “moral” para a sua família. Colocar regras para punir pessoas que são violentas não faz nada quando as pessoas perdem seus empregos e tomam as ruas para protestar. Dizer que as pessoas devem ser boas umas com as outras é irrelevante em um mundo onde você tem que competir com os outros, a fim de sobreviver e prosperar. E assim por diante.

 Não há dúvida de que as pessoas queriam fazer o bem, mesmo ao matar, escravizar ou torturar tantos, mas isso não é uma maneira científica de abordar este problema.  Por exemplo, quando se trata de matar animais, não podemos simplesmente declarar “nós devemos matar animais” ou “não devemos matar animais”.  O mundo é muito mais complicado do que isso. Se olharmos com uma lente científica para essas questões, a resposta se dá em muitas páginas, não uma palavra ou frase.

 Para manter o mesmo exemplo, aqui está uma abordagem mais científica para a questão da “matança de animais”:

1. O que é um animal?

2. Qual é a intenção ou necessidade de matar aquele animal?

3. Se decidir matá-lo, como faremos e quais serão as consequências?

Deveria haver muitas perguntas e investigações, já que há uma abundância de animais invasores que destroem plantações agrícolas, e que devem ser mortos (reduzidos em número) ou bloqueados (controlados), ou então muitas pessoas morrerão de fome. Eles podem transportar doença, prejudicando diretamente as pessoas, etc. Mas tudo precisa ser devidamente analisado ​​para entender qual é o impacto global nas sociedades humanas e no meio ambiente.maxresdefault

Temos que concordar que este é um mundo humano que estamos discutindo. Se nós não interferíssemos na natureza e deixássemos-na ir como quiser, nós pereceríamos enquanto espécie. Isso é um fato porque não poderíamos ter capacidades agrícolas, tecnológicas, cidades, pesquisas e muito mais.

Ainda mais do que isso, somos parte integrante da natureza, apesar de tudo, e temos que assegurar que compreendemos nosso lugar nela e como podemos aprender com ela para nossa vantagem. Ao invés de dizer às pessoas que não é bom destruir o meio ambiente, você deve mostrar-lhes as vantagens que ganhamos por não desmatar florestas, ou por não pôr em perigo a sobrevivência da outra espécie, ou quais são os efeitos do aquecimento global, e assim por diante.

Você pode substituir essas noções antigas e palavras como “moralidade”, “ética”, “bom”, “mau”, “certo” ou “errado” com uma abordagem científica. Esta é a única maneira de chegar a decisões relevantes e uma coisa que é altamente destacada  pelo Projeto Vênus é observar atentamente tudo com uma lente científica, e, em seguida, chegar a uma decisão de acordo com suas descobertas.

Quando se trata de como as pessoas se comportam, você tem que olhar para o ambiente e mudar isso conforme necessário, a fim de permitir que as pessoas se comportem de maneiras que não sejam prejudiciais para si e para o meio ambiente, no lugar de impor regras para tentar forçá-las a se comportarem de determinado modo.

O Projeto Vênus inteiro é sobre isso, por isso não é uma resposta –  é uma série de respostas para enfrentar muitas das características comportamentais nocivas da nossa sociedade. Alguns exemplos: se você converter qualquer tipo de trabalho para ser o mais automatizado possível, você pode remover a necessidade de forçar as pessoas a fazer esses trabalhos, tornando a escravidão obsoleta. Se você conseguir criar uma sociedade em que as pessoas têm acesso para satisfazer todas as suas necessidades, então não haverá mais crimes relacionados a isso. Se as pessoas são expostas à educação científica, então há uma chance muito boa que noções antigas e rituais gradualmente desapareçam.

Criar uma sociedade em que as pessoas não sejam obrigadas a competir umas com as outras para obter suas necessidades irá reduzir as tensões generalizadas que enfrentamos agora, o que irá diminuir a violência – ou talvez até mesmo eliminá-la.

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Então vamos esquecer noções como moralidade ou ética e nos concentrar na ciência complexa por trás do comportamento humano e como ele é moldado por eventos/experiências e circunstâncias. Através da ciência, ganhamos a única maneira inteligente de nós, seres humanos, compreendermos e aprendermos o que temos que fazer, como gerir aquilo que temos, e como se comportar.

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Para ler o artigo original na íntegra da revista do “The Venus Project”, clique aqui (páginas 24 a 77).

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