NACIONALISMO: uma doença infantil? – Parte 1

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Parte importante da transformação necessária para que possamos construir um mundo melhor passa por um ambiente um tanto inusitado, quanto abstrato: o mundo das ideias. Esse lugar intangível molda a maneira como percebemos o mundo a nossa volta, influenciando desde as nossas relações individuais (como nos enxergamos), interpessoais (como enxergamos o outro), comunitárias (como enxergamos nossa comunidade) e sociais (como enxergamos outras comunidades).
Portanto, algo que parece tomar lugar exclusivamente no nosso exterior como a luta por um planeta mais justo e, consequentemente, saudável, é, na verdade, parte de um processo que tem início em nosso interior, que é a transformação dos nossos valores.
Com a intenção de debater um dos valores fundamentais para o estado em que se encontra a sociedade hoje, estamos inaugurando nesse post, o primeiro de uma série de 4, a tradução de um artigo que se encontra na 10ª (décima) edição da revista digital do Projeto Vênus (Revista TVP). O artigo é de Colin Culbreth, um contribuidor assíduo e que possui um website pessoal em que podemos encontrar suas informações e um link para download gratuito de seu livro “The Lens of Truth: Greed, The Media, and We” [As Lentes da Verdade: Ganância, A Mídia, e Nós].
O tema abordado é o nacionalismo. Caso você não saiba como a organização da nossa sociedade é influenciada por esse conceito, ou acredite ter fundados motivos para defendê-lo como um valor importante para a experiência humana, convidamos você a separar um pouco do seu tempo para essa leitura.

 

NACIONALISMO: Uma doença infantil¹?

por Colin Culbreth

O nacionalismo pode parecer uma escolha estranha como uma ideia a ser criticada. Em uma análise superficial, a palavra é inofensiva, significando uma aliança, ou sentimentos patrióticos, em relação a um país. Alguém poderia argumentar que seu significado é semelhante à forma com que os fãs de esportes estabelecem lealdade às suas equipes favoritas, mas o que realmente significa o nacionalismo? Mais importante, o que ele significa para a raça humana?

Albert Einstein² se referiu ao nacionalismo como uma “doença infantil”. Ele o chamou de “o sarampo da humanidade”. Creio que em grande parte devido ao fato de em a nossa sociedade atual as nações do mundo estarem competindo por riqueza e status umas contra as outras dentro do sistema monetário capitalista, ao invés de se unirem como uma só e resolverem os problemas do mundo.

“O egocentrismo causará a destruição do nosso mundo. O orgulho NACIONAL separa as pessoas… o nacionalismo tende apenas a propagar a separação das nações e dos povos do mundo” – Jacque Fresco

A competição³ promove a ilusão de superioridade nacional, porque o sucesso na competição nacional ou internacional é mensurado apenas em termos de posição monetária e ganhos financeiros.

Como se diz, a necessidade é a mãe da invenção – não a competição. Apesar de que um pouco de competição possa ser divertido, a implicação de que qualquer país seja superior a outra nação é um fator primordial que impede que as barreiras – raciais, financeiras, religiosas, culturais, etc – sejam derrubadas.

Enquanto as nações estiverem distraídas pela competição, a unificação da espécie humana nunca será alcançada.

Como espécie, os seres humanos se esqueceram de que a colaboração e o compartilhamento do conhecimento são muito mais eficazes em eliminar as barreiras entre as pessoas do que a competição. Se forem investigadas as origens das invenções e contribuições mais influentes do mundo, ficaria claro que a colaboração serve melhor à humanidade do que a competição.

Visionários como Jacque Fresco apontam que algumas das melhores ideias que o mundo já teve nos foram dadas por pessoas de diferentes nações.

KityHawkNo seu livro, The Best That Money Can’t Buy [O Melhor Que o Dinheiro Não Pode Comprar], Jacque explica que “Mil anos antes dos irmãos Wright lançarem seu primeiro aparelho voador em Kitty Hawk, os chineses já haviam desenvolvido pipas para transporte de passageiros.

“Um russo chamado Tsiolkovsky foi o primeiro a descrever os princípios do voo espacial em detalhes. Um francês, Louis Pasteur, desenvolveu a vacina contra a raiva. No século 16, o italiano Leonardo Da Vinci vislumbrou os princípios do voo e projetou uma forma rudimentar de helicóptero. O astrônomo polonês Nicolau Copérnico publicou um livro sobre a revolução dos corpos celestes. Albert Einstein, um alemão, deu-nos a teoria da relatividade.”

As nações frequentemente alegam uma propriedade intelectual sobre certas ideias ou inovações, mas não veem como outras culturas e nações abriram o caminho para as suas pesquisas e desenvolvimento. Talvez elas não admitam, mas seu progresso DEVEU-SE à colaboração – talvez não voluntária -, mas simplesmente por observar o que outra nação havia realizado em um campo particular é que foram capazes de avançar para a próxima etapa.

Por exemplo, Humphry Davy inventou a primeira lâmpada elétrica em 1809, e Sir Joseph Wilson Swan inventou um filamento de queima mais duradoura em 1878, antes de Edison ter sido capaz de descobrir um filamento mais ardente em 1879. Quando as nações mantêm suas pesquisas e trabalhos escondidos de outros países, guerras e violência ocorrem com maior frequência.

De acordo com o dicionário americano Oxford do meu laptop, o nacionalismo é definido como “sentimentos de patriotismo, especialmente em uma forma extrema que implica superioridade em relação a outros países”.

Observe que a definição não diz “frequentemente implicando superioridade” ou “em alguns casos exibindo sentimentos de superioridade”; diz “especialmente em uma forma extrema”. Não há absolutamente nenhuma evidência que apoie a afirmação de que uma nação qualquer seja superior a outra. É uma falsa crença reforçada e mantida exclusivamente pela opinião do emitente – não por algo que alguém possa considerar uma evidência irrefutável.

“Este artigo não expressa necessariamente uma opinião do MZ, mas de seu autor.
O mérito está na contribuição para a discussão da linha de pensamento defendida pelo movimento.”

 

 

NOTAS DE RODAPÉ:

¹ O termo aqui utilizado é “infantile disease”, que pode ser traduzido como “doença da infância” ou “doença infantil”. – Nota do Tradutor (N.T.)

² As referências externas, nessa e nas partes seguintes, foram atualizadas para endereços correspondentes na língua portuguesa. Aqueles websites que, porventura, estiverem em língua inglesa é por não ter sido encontrado um correspondente em vernáculo. – N.T.

³ No original a palavra “competição” foi utilizada tanto no significado amplo de disputa entre dois ou mais indivíduos, como no sentido estrito de concorrência econômica. Nesta versão optamos por traduzir os dois conceitos por “competição”. – N.T.

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2 Responses

  1. “O homem é o único Patriota. Ele se coloca à parte em seu país, sob sua própria bandeira, e zomba dos outros países, e mantém numerosos assassinos uniformizados disponíveis a altos custos para tomar fatias de países de outras pessoas e impedi-los de tomar fatias do seu. E nos intervalos entre as guerras ele lava o sangue de suas mãos e trabalha para a “fraternidade universal do homem” – com a sua boca.”

    – Mark Twain -

  2. Denanci dos Santos disse:

    Só com a mentalização do desarmamento global se conseguirá uma só pátria e o respeito mútuo..

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