NACIONALISMO: uma doença infantil? – Parte 3

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Você já se perguntou por que nós temos fronteiras geopolíticas e qual a contribuição dessas criações humanas para o estado atual de nossa sociedade global? Se formos à fronteira entre o Brasil e os países vizinhos, principalmente pela peculiaridade da extensão territorial e de fronteira de nosso país, perceberemos que não há nenhuma separação real entre o território nosso e o dos países vizinhos, à parte um ou outro posto policial de fronteira que destacam esses limites. Perceberemos mesmo que a fauna e a flora e até características de ambos os habitantes seguem um espectro contínuo de mudanças, e às vezes fica difícil dizer quem é de uma nacionalidade ou outra.

Com isso em mente, torna-se difícil justificar limites tão rígidos para a identidade dessas sociedades e, portanto, até que ponto deva ir a colaboração entre esses grupos culturais e suas instituições. Afinal, seria essa construção arbitrária de fronteiras a melhor forma de garantir a prosperidade das nações?

Nessa terceira parte, um pouco dessa incoerência é abordada.

Caso você não tenha lido a primeira e segunda parte do artigo, acesse aqui e aqui.

Boa leitura.

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children_globe_2400_1100_60_s_c1_c_cCarl Sagan disse uma vez que “os velhos apelos ao chauvinismo racial, sexual e religioso, ao fervor nacionalista raivoso, estão começando a não funcionar. Uma nova consciência está emergindo, uma que vê a Terra como um único organismo, e reconhece que um organismo em guerra consigo mesmo está condenado. Nós somos um planeta.” Já é tempo de agir como tal.

Na base da Estátua da Liberdade, o símbolo da liberdade para os Estados Unidos, encontra-se a seguinte inscrição: “Venham a mim as multidões exaustas, pobres e confusas ansiosas pela liberdade. O miserável refúgio para suas costas apinhadas. Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades. Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado”.

Muitas pessoas nos Estados Unidos e outros países acreditam que garantir fronteiras estritas internacionais é a solução para preservar os interesses nacionais. Muitas pessoas reconhecem a necessidade de tais leis, porque estão muito focadas no problema para ver a solução.

Claramente, o problema é que não-cidadãos estão atravessando as fronteiras, mas a solução não é fazer mais leis. A criação de novas leis e procedimentos que só servem para impedir o acesso dessas pessoas a recursos não faz nada para resolver o problema. Na verdade, faz o contrário. Amplifica os problemas e leva tanto a violações individuais como incita a guerra. “Não são de leis que precisamos. As pessoas precisam de acesso às necessidades da vida. Quando conseguem isso, elas não roubam” (Fonte).

Se as necessidades básicas da vida fossem fornecidas a todas as pessoas do mundo (acesso à água potável, a alimentos saudáveis e terra fértil, ar puro para respirar, e habitação segura), elas não teriam necessidade de abandonar seu país de origem ou de buscar refúgio em uma nova terra.

O fato é que fronteiras nacionais não são mais do que linhas arbitrárias em mapas feitos pelo homem. Essas linhas arbitrárias fazem nada para resolver as causas dos problemas ou corrigi-los. O seu único objetivo é o de executar procedimentos que tratam os sintomas e impedem as pessoas de ter o que deveria estar disponível para toda forma de vida no planeta.

É apenas quando esses elementos básicos estão em falta que a violência ou roubo emergem.

Os críticos dirão imediatamente que essa é a razão pela qual precisam existir fronteiras nacionais – pois se todos desejarem os recursos de um país como os Estados Unidos, ele seria invadido por imigrantes e a violência o tomaria. Essa declaração seria verdadeira se removêssemos as fronteiras nacionais no estado atual da sociedade. No entanto, os críticos não conseguem entender que ações como essa exigiriam um extenso planejamento e uma avaliação precisa dos recursos disponíveis em todos os territórios conhecidos.

O Projeto Vênus, em colaboração com intelectuais do mundo (pesquisadores, cientistas e outras pessoas que usam o método científico), “conduziriam uma pesquisa global sobre terras férteis, instalações de produção, transporte, equipes técnicas, população, e todos os outros requisitos exigidos em uma cultura sustentável. Esse levantamento permitiria que analistas determinassem os parâmetros necessários para um plano global de desenvolvimento social e tecnológico humanizador, com base na capacidade de suporte da Terra e nas necessidades dos povos” (Fonte).

Os técnicos do Projeto Vênus construiriam um modelo computadorizado capaz de atualizar-se continuamente e extrair todos os dados necessários para avaliar e monitorar os recursos do planeta. Acredite ou não, isso seria relativamente fácil de se conseguir.

Hoje, os sistemas de satélite monitoram continuamente e fornecem dados para vários locais simultaneamente, em todo o mundo. No entanto, em vez de usar essa tecnologia para obter ganhos financeiros, essa tecnologia (e suas atualizações) teria apenas uma função: servir as pessoas de todo o mundo, independentemente de raça, credo ou país.

A razão primeira pela qual as pessoas tentam viver em novos ambientes é porque algo está faltando.

Consequentemente, essas pessoas tentam atravessar as fronteiras, a fim de adquirir itens que presumidamente pertencem a um outro país. Isso não tem nada a ver com uma nação ser superior a outra. Conforme as fronteiras nacionais foram estabelecidas na história, os recursos da terra foram injustamente realocados e retidos do resto dos seres vivos.

Quando as pessoas entram num país que não o seu próprio, elas estão em busca, muitas vezes por desespero (ou algo percebido como desespero), de algo que não as está sendo fornecido, e por isso não medem esforços para roubá-lo. Contudo, é este conceito de propriedade sobre os recursos que é o núcleo do problema.

Certa vez ouvi uma citação muito provocativa: “Há apenas um pecado … e esse é o roubo. Qualquer outro pecado é uma variação do roubo. Quando você mata um homem, você rouba uma vida. Você rouba o direito de sua esposa de ter um marido; rouba de seus filhos o de ter um pai. Quando você conta uma mentira, você rouba o direito de alguém à verdade. Quando você trapaceia, rouba o direito à justiça” (Fonte).

Quando você estabelece a propriedade sobre recursos necessários à vida, você rouba a felicidade e o direito de viver do outro. Jacque Fresco diz que, se as pessoas realmente querem acabar com a guerra, a pobreza, a fome, as disputas territoriais [e muitos outros problemas], devemos declarar todos os recursos do mundo como patrimônio comum de todos os povos.

Qualquer coisa menos do que isso não resolverá os mesmos problemas que temos visto continuamente ao longo dos séculos.” Ele afirma ainda que “Enquanto algumas nações controlarem a maior parte dos recursos da Terra, sempre haverá disputas territoriais, não importa quantos tratados sejam assinados, não importa quantas leis sejam feitas.”

Concordo com Fresco que ao não declarar todos os recursos da terra como o patrimônio comum de todos os povos e juntar todas as nações isoladas em um sistema unificado, guerra, pobreza, crime, fome, escassez, e todos os outros problemas que atualmente vemos hoje permanecerão ou ficarão piores.

Os críticos podem reiterar que unificar as nações em um único sistema global não re-escreveria os costumes sociais, diferenças culturais ou religiosas e muitos outros problemas que atualmente separam as pessoas. Apenas criaria a necessidade de uma nova ordem mundial, uma que facilitaria um novo aumento de opressão ou de busca por poder. No entanto, mais uma vez, isso não é inteiramente verdade.

Antes de os Estados Unidos da América unificar todos os seus territórios antes separados em estados de uma mesma União, havia constantes disputas territoriais e violência, roubo de recursos e vandalismos ou assassinatos. Não foi até os Estados Unidos da América eliminar as fronteiras territoriais individuais e unificar todos em uma Federação que as disputas territoriais pararam e o povo americano parou de usar milícias para lutar entre si.

A guerra civil foi travada por disputas territoriais e por recursos. Quando a guerra acabou, a violência e a agitação civil quanto ao território novamente desapareceu nos Estados Unidos. Globalmente, este mesmo princípio reuniria todas as nações com igualdade de direitos e parcelas iguais de recursos. Este seria um dos primeiros passos para erradicar a guerra completamente da Terra.

No entanto, unificar as nações em um sistema global enquanto ainda aderidas aos métodos atuais de governo serviria apenas para promover a violência, as hierarquias de poder e o derramamento de sangue.

É por isso que digo mais uma vez que um dos passos preliminares para uma unificação planejada de todas as nações do mundo começaria com um levantamento global dos recursos.

Após ter sido conduzido esse levantamento global, a primeira cidade teste precisaria ser construída para testar os parâmetros desta nova direção socialmente consciente. “A investigação deveria incluir o desenvolvimento de fontes alternativas de energia limpa e de superação da escassez com o desenvolvimento de novos materiais” (Fonte).

Os dados obtidos através deste sistema de monitoramento global poderia “fornecer todas as necessidades exigidas para dar apoio às pessoas durante o período de transição. Para sustentar uma civilização, (O Projeto Vênus) teria de coordenar tecnologia avançada e recursos disponíveis em uma abordagem humana de sistemas globais.

Por exemplo, as características da população em uma determinada área ditaria quantos hospitais e escolas seriam construídos e quais os equipamentos necessários… Durante a fase de transição, as regiões de escassez seriam providas com geradores de calor para cozinhar e para esterilizar água. Alimentos para essas áreas poderiam ser desidratados e compactados para economizar espaço de transporte.

A embalagem seria biodegradável e poderia funcionar como fertilizante não contaminante. Regiões sem terra arável usariam fazendas hidropônicas, piscicultura em terra e agricultura de oceanos. Energia viria de fontes eólicas, solares, fotovoltaicas, das ondas, de biomassa, geotérmica, geradores de calor e outras” (Fonte). Em meu livro As Lentes da Verdade: Ganância, a Mídia, e Nós, escrevi sobre as fontes de energia limpas e renováveis e seu potencial fornecimento de energia. Por favor, considere uma leitura complementar sobre energia renovável na parte 3 do meu livro, visitando meu site, ou clique aqui para ler apenas a seção específica sobre Energia.

O estágio final desta fase particular seria resolver a mobilização e distribuição de bens de consumo e serviços em uma escala global. Como isso nunca foi feito antes, e a liberdade agora dada às pessoas devido ao fato de que o sistema monetário não é mais um obstáculo, a questão não é “Temos o dinheiro?” mas “Temos os recursos e os meios para alcançar estes novos direcionamentos?” (Fonte)

A resposta, claro, é “sim”, mas a razão pela qual isso ainda não foi feito na sociedade é porque o dinheiro agora existe com o único propósito de fazer um grupo seleto de poucos ricos.

“Este artigo não expressa necessariamente uma opinião do MZ, mas de seu autor.
O mérito está na contribuição para a discussão da linha de pensamento defendida pelo movimento.”

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