O “Espírito do Tempo” Personificado – Eduardo Galeano

O “espírito do tempo” não precisa necessariamente de ser formalizado para que exista. Economia baseada em recursos, sustentabilidade, respeito à natureza e afins são expressões que usamos para facilitar a disseminação de informações e as discussões. Porém, não são os termos utilizados que fazem as coisas existirem: elas estão aí e aqui, independentemente do nome que damos a elas. As pessoas mais sensíveis, de percepção mais aguçada, percebem isso, parecem saber de forma quase intuitiva o que precisamos ser para vivermos em um mundo mais equilibrado, mais feliz – sem que necessariamente façam parte de alguma organização que tenha tal intento.

Alguns indivíduos talvez sejam bons exemplos de pessoas dotadas dessa percepção. Ouvi-los um pouco pode nos ajudar a aumentar a nossa própria sensibilidade.

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Eduardo Galeano, nestes relatos ao programa “Sangue Latino”, uma produção conjunta de TV Cultura, Canal Brasil e Urca Filmes, expõe seu saber poético, o qual está sempre presente em toda sua obra literária. Com uma referência ao passado, às culturas milenares e à sabedoria popular dos anônimos, misturadas a uma visão de futuro mais humano, Galeano nos ensina que a resistência corajosa, porém suave e compassível, é um provável caminho para conduzir-nos a tempos mais aprazíveis.

 

Seguem alguns trechos da conversa:

“Se você não entra no modelo, que de cima e de fora acreditam que é democracia, então aqui não existe democracia.”

“As histórias são as que permitem transformar o passado em presente. E que, também, permitem transformar o distante em próximo, o que está distante em algo próximo, possível e visível.”

“Não acredito em nenhum tipo de aristocracia, nem na do talento, ainda mais quando a aristocracia do talento é auto eleita (…).”

“Acho que o exercício da solidariedade, quando se pratica de verdade, no dia-a-dia, é também um exercício de humildade que ensina você a se reconhecer nos outros e a reconhecer a grandeza escondida nas coisas pequenininhas, o que implica denunciar a falsa grandeza das coisas grandinhas em um mundo que confunde grandeza com grandinho.”

(Repetindo uma frase de Fernando Birri quando indagado sobre o espaço da utopia no mundo de hoje): “A utopia está no horizonte e se está no horizonte eu nunca vou alcançá-la, porque, se caminho dez passos, a utopia vai distanciar dez passos, e se caminho vinte passos, a utopia vai se colocar vinte passos mais além, ou seja, eu sei que jamais, nunca vou alcançá-la. Para que serve? Para isso, para caminhar.”

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Sugestões para Estudo

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