O Jogo Monetário e Além – TVP Magazine (Parte 3)

Autor: Tio | Editor: Ray

Tradução e Revisão por membros do Time Linguístico do MZ:

Luiza Nora | Bruna Sahão | Gustavo Canto |

Graciela Kunrath Lima | Gabriel Bizzotto

Esse artigo foi traduzido a partir do original em inglês “The Money Game and Beyond”, publicado na TVP Magazine, disponível aqui.  A tradução dos artigos desse ebook serão divulgados aqui no MZBlog numa série de publicações. Esta é a Parte 3.  As partes já publicadas podem ser acessadas abaixo:

Parte 1 – Introdução

Parte 2 – Movimentação de Coisas e pessoas: Introdução | O Dilema | Quadros e Pixels

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1 – MOVIMENTAÇÃO DE COISAS E PESSOAS
(Inventando o Dinheiro)
 
INVENTANDO O DINHEIRO

Dizer que o ato de comércio começou em um ponto no tempo não é nada realista, pois as pessoas devem ter trocado produtos e serviços por milênios. Você tem ovelhas e eu posso cuidar delas, então você pode me dar um pouco de carne de carneiro, ou pele, pelo meu serviço.  Você tem vacas e eu faço roupas, então fico com um pouco de leite e você com alguns sapatos.  Você entendeu.  Contudo, é importante mencionar que a noção de propriedade variou muito de um grupo de pessoas para outro.  Embora não possamos exatamente apontar alguma em especial, havia muitas tribos que nunca pensaram na terra ou animais que elas criavam como sendo delas, mas como simplesmente estando lá, e sendo criados, e todas as tribos usufruíam as vantagens.  Se lhes perguntassem quem é o dono das ovelhas, por exemplo, não seriam capazes de entender a pergunta.

Quando os colonos americanos ficaram “mandões” com índios nativos e foram tentar tirar suas terras, eles ficaram confusos quanto às fronteiras da terra indígena, pois os índios só plantavam seus vegetais em espaços abertos, sem levar em conta a terra como propriedade deles ou de qualquer outra pessoa.  Há também pessoas que alguns chamam de ‘nômades’, que viajam o tempo todo, não se estabelecem em um só lugar.  Eles vêem a Terra como pertencendo a ninguém – esta apenas está lá- e eles a aproveitam para se alimentar, vestir e proteger.  Ainda hoje, há tribos onde a noção de propriedade é estranha para eles e comércio (se existir) é irreconhecível. Portanto, mantenha isso em mente, “comércio” não é uma coisa que ocorre “naturalmente” onde se aplica a todos os grupos de pessoas (culturas).

Imagem1

Então, vamos voltar para às pessoas que estavam negociando leite por sapatos.  Eles finalmente inventaram uma regra que estamos muito familiarizados nos dias atuais, mas era “novo” naquela época: moeda.  Se eu tenho uma vaca e preciso de sapatos, é impossível quantificar a vaca por um par de sapatos, a menos que seja sobre o leite (a vaca como subproduto).  Se o cara que faz os sapatos quer um pouco de carne de vaca em troca, eu não posso simplesmente retirar a perna de uma vaca, dar a ele, pegar os sapatos e sair, porque então a vaca vai morrer e assim ela não terá mais valor.  O valor terá sido perdido.  Então, e se entrarmos em um acordo e inventarmos uma espécie de “coisa” que pudéssemos usar para dar valor a esses bens?  Se a vaca tem 4 pernas e outras partes que são comestíveis, então esta pode ter o mesmo valor de 8 pares de sapatos.  Portanto, se os sapatos são avaliados em uma ‘coisa’, a vaca seria então avaliada em oito dessas ‘coisas’.  Eles usaram conchas, grãos, contas e outras tais ‘coisas’ para equiparar por bens e serviços.  Uma pergunta deve ser feita: foi o pescador da tribo quem propôs que conchas fossem usadas como moeda?  Pense nisso, pois ele teria muito mais acesso à estas do que qualquer outra pessoa.  Como, no mundo, essas “coisas” simplesmente tornaram-se moedas?  Imagine alguém que vem até você e diz: “Aqui, eu tenho 17 conchas.  Eu quero o seu barco.”  Você provavelmente responderia de volta com “Claro que não, cara louco!  Eu não posso fazer nada com as suas conchas … não posso comê-las, não posso flutuar sobre elas para sair da ilha, não posso fazer fogo com elas … totalmente inútil! “.  Mas espere um minuto.  Não é a mesma coisa com o dinheiro hoje?  Voltaremos a este assunto mais tarde nesta série, mas por agora, vamos nos concentrar na história.

Assim, aprender quem propôs a moeda de troca pode ser um mistério, ou talvez fosse algo emergente da cultura: por exemplo, conchas eram utilizadas com outros objetivos, como jóias, antes disso, então eles podem tê-las adotado para a troca porque eles estavam familiarizados com elas.

O emprego de conchas, pérolas, ou o qualquer outras ‘coisas’ utilizadas para a troca parece ter surgido muitos milhares de anos atrás, e isso só funcionou por causa da confiança que as pessoas tinham entre si.  Você deve ser um pouco louco para desistir de sua vaca por apenas oito conchas, certo!?  Bem, este tipo de comércio inicialmente funcionou porque começou dentro de grupos de pessoas que confiaram umas nas outras, e funcionou tão bem que gradualmente se expandiu globalmente.  É interessante saber que os bens e serviços foram valorizados puramente baseados na cultura.  Se você voltasse no tempo e tentasse vender seu smartphone naqueles dias, ninguém lhe daria uma concha por ele.  Pessoas valorizavam grãos agrícolas e gado naqueles dias, além de têxteis (vestuário, principalmente) e ferramentas.  Talvez não nessa ordem, mas esses foram os bens e serviços importantes na época. Assim, uma vaca poderia ter sido avaliada em oito conchas e um par de sapatos em apenas uma, mas um smartphone ou um pedaço de ouro valeria nada para eles.  Se houvesse mais vacas em uma área e muito poucos sapatos, e as pessoas quisessem sapatos nesse tempo, então sapatos teriam se tornado mais valiosos devido à sua escassez e o fato de que as pessoas os quisessem.  A pessoa que os vendesse poderia colocar um “preço” maior sobre esses, pois a demanda seria maior, reconhecendo que as pessoas que possuíam vacas teriam recursos para dar até mesmo duas vacas por um par de sapatos.  É importante notar que tudo isso poderia ser refletido em um sistema monetário que eles tinham acabado de inventar.

Para tornar as coisas mais seguras, as conchas utilizadas como moeda foram moldadas em forma de contas através de um processo laborioso que não era fácil. Então, se você imaginou voltar ao passado e apenas coletar algumas conchas das margens com o intuito de comprar algumas boas vacas, um par de sapatos brilhantes e um barco, então você estaria com falta sorte, pois você teria que ter algumas daquelas conchas especiais a fim de fazer isso.  É semelhante aos dias de hoje, onde você não pode apenas fazer dinheiro de papel com muita facilidade, e até mesmo se você conseguir, você pode enfrentar punições severas pela falsificação de ‘coisas’ para troca( falsificação de dinheiro).

A partir daquele momento, tudo era simples como é hoje em dia: as pessoas usariam essas ‘coisas’ (as contas de concha) sem saber de onde vieram ou qual o seu valor real.  Naturalmente, este sistema de comércio inteiro é o que deu origem ao conceito ou aos que governavam este sistema, e também às pessoas que eram governadas por ele.  Alguns iriam se esforçar para controlar esta “moeda”, enquanto outros acabariam sendo controlados por ela.

Este tipo de sistema de mercado começou com algumas coisas básicas que as pessoas precisavam e tinham a capacidade de comercializar: animais, vegetais, grãos.  Assim que as regras do comércio foram sendo desenvolvidas entre os membros da tribo, estas foram aplicadas pelos líderes tribais e ainda mais reforçadas pelos seus exércitos, e foram finalmente apresentadas a outras tribos vizinhas, seja pela força (vencendo e forçando outras tribos a adotar este sistema) ou por necessidade (outras tribos tiveram de se adaptar a este novo tipo de mercado, a fim de trocar bens e serviços com eles).

Toda essa ideia surgiu em torno de 12.000 anos atrás, mas demorou um pouco para se tornar amplamente adotada. Quanto mais especializados os comércios se tornavam, e mais especializado tornava-se o povo na oferta de serviços, melhor esse sistema tornou-se (por “melhor”, não quero dizer melhor para as pessoas, mas simplesmente melhor em comercialização).

Imagem2As contas foram mais tarde substituídas por uma variedade de outras moedas, como as ‘moedas’ de metais feitas sob medida.  Isso finalmente favoreceu as moedas feitas de ouro, um material um pouco raro, porque replicar moeda de ouro é semelhante a tentar replicar essas “contas especiais” feitas anteriormente, que usavam apenas tipos raros específicos de conchas. Como as pessoas não eram capazes de replicar facilmente estas moedas de ouro, estas deram ainda mais poder aos governantes.  Uma vez que eles já controlavam os meios para localizar e extrair o ouro usado para fazer essas moedas feitas sob encomenda, eles poderiam controlar melhor a moeda. Então, imagine ter um exército de pessoas, lotes de ouro, e um sistema de negociação que muitos aceitavam.  Agora você pode ‘pagar’ às pessoas algumas moedas de ouro para extrair mais ouro para você (o governante) e fazer muito mais moedas pelo trabalho dessas pessoas.  Você está agora “no ramo” de fazer mais moedas de moedas (e do trabalho de outras pessoas). Tendo um exército, você também poderia aplicar as regras (leis) sobre as pessoas.  Então, se você torna ilegal para as pessoas a replicação de moedas, você torna-se cada vez mais rico, porque você tem controle sobre as moedas, os meios para fazê-las, e a capacidade de comprar o que você precisar, incluindo pessoas. Com muito pouco “trabalho”, você se tornaria cada vez mais poderoso, tudo através do trabalho das pessoas que você governa.

Uma coisa incrível, mas previsível sobre tribos do passado, é que se você olhar para os lugares onde eles prosperaram, você vai descobrir que elas se localizavam na maioria das vezes perto da linha onde duas ou mais das placas tectônicas do planeta se encontram. Nestes locais, moléculas de variadas formas são mais propensas a subir à superfície através da lava vulcânica e essas moléculas formam materiais que as pessoas precisam para construção, alimentação e outras forma de sobrevivência.  Você também encontrará algumas tribos próximas a quantidades significativas de águas (rios, lagos, ao longo das costas), por razões semelhantes, mas também porque esse acesso à água facilitava as oportunidades de comércio com outras tribos.  Então, as tribos se agrupavam em torno de lugares com recursos significativos e outras vantagens (como comercial).

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