O Jogo Monetário e Além – TVP Magazine (Parte 5)

Autor: Tio | Editor: Ray

Tradução e Revisão por membros do Time Linguístico:

Luiza Nora | Bruna Sahão | Gustavo Canto |

Graciela Kunrath Lima | Gabriel Bizzotto

Esse artigo foi traduzido a partir do original em inglês “The Money Game and Beyond”, publicado na TVP Magazine, disponível aqui.  A tradução dos artigos desse ebook serão divulgados aqui no MZBlog numa série de publicações. Esta é a Parte 5.  As partes já publicadas podem ser acessadas abaixo:

Parte 1 – Introdução

Parte 2 – Movimentação de Coisas e pessoas: Introdução | O Dilema | Quadros e Pixels

Parte 3 – Movimentação de Coisas e Pessoas: Inventando o Dinheiro

Parte 4 – Movimentação de Coisas e Pessoas: A Confiança | A Loucura

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1 – MOVIMENTAÇÃO DE COISAS E PESSOAS

(O Negócio | Moedas a partir de moedas)

O NEGÓCIO

Taxas

Além das muitas taxas impostas (em terra, segurança, etc.), cenários como este começaram a surgir: meus amigos e eu fornecemos segurança armada (proteção) para um porto onde os navios aportam e descarregam mercadorias.  Outro grupo protege outro porto.  Para obter mais navios para ‘estacionar’ em nosso porto, eu anuncio “Em vez de navios pagarem o imposto padrão de 12% para a proteção que outros portos cobram, estamos pedindo apenas um imposto de proteção de 11%.”  Dentro desta nova prática, nasceu o mundo poderoso dos “negócios”: concorrência e vantagem diferencial decorrente de brincar com as regras.

Agora tente imaginar como essas regras evoluíram rapidamente e em tantas direções diferentes.  Por exemplo, podemos curá-lo de uma doença por apenas 3 moedas, mas só podemos fazê-lo dessa forma barata porque a tribo a qual pertencemos oferece proteção para os nossos serviços, cobrando apenas 2% de taxa.  Os prestadores de saúde tributam as pessoas, enquanto a tribo cobra impostos dos prestadores de saúde, mas por razões diferentes.  Alguns desses impostos tornaram-se obrigatórios, outros não, tudo para que pudessem utilizar os impostos arrecadados para pagar por mais coisas para “vender” para a tribo, ou melhorar o exército, ou o que quer que seja.  Isso basicamente evoluiu para impostos sobre impostos sobre impostos sobre impostos, aplicado às regras que se aplicam a outras regras que se aplicavam a ainda outras regras… e assim foi gerado um labirinto por pessoas ou grupos, para criar vantagem para si mesmas.

Isso ainda é a ideia por trás de impostos e empresas.  Estes dias, você pode estar pagando pelo seu plano de saúde como um imposto (não como um serviço – o que significa que é ‘obrigatório’), onde você basicamente é coagido a adicionar moedas ao saco do mestre de moedas da tribo, um pouco a cada mês e, a partir destas moedas, a tribo pode pagar os profissionais de saúde para que mantenham você saudável sem você pagar-lhes diretamente, ou a tribo pode fazer outra coisa com o dinheiro dos impostos: construir estradas, diferentes tipos de edifícios, organizar eventos desportivos sem sentido, ‘fantasmagóricos’ investimentos em si mesmos , e assim por diante.  Curiosamente, os profissionais de saúde também pagam impostos para a tribo para utilizar o espaço que a tribo “possui”, equipamentos, etc., mesmo que a tribo pague os profissionais de saúde para a manutenção desta atividade. Assim a tribo acaba por recuperar um pouco do dinheiro que pagam para a saúde como mais impostos.  Mas não se perca nos detalhes. Apenas lembre-se que todos esses impostos e regras têm mais a ver com “como podemos ganhar mais dinheiro” do que qualquer outra coisa.

LeõesInvestir é outro exemplo de “negócio”.  Se um navio cargueiro transportando leões da África para a China custa 5.000 moedas (custo de construção do navio, de embarcar os leões, cuidar deles, outros serviços, etc), então meus amigos e eu podemos investir uma pequena parte de nossas moedas no projeto, digamos 2% cada.  Depois, recebemos de volta uma pequena porcentagem do lucro que o navio gerar toda vez que entregar esses leões até o destino.  Se o navio afundar ou der qualquer problema, perdemos uma quantidade muito pequena, o que é muito melhor do que eu pagar para (e possivelmente) perder tudo.  Isso nos permite “investir” em diversas coisas no mundo todo, recebendo retorno sobre investimentos mas minimizando os riscos.

Isso é o que a maioria das pessoas faz hoje.  Se eu tiver moedas e souber da criação de uma coisa nova chamada Facebook, posso investir 1% do meu dinheiro no negócio, controlado por certas regras que variam dependendo de como eu investir. Uma possibilidade é “alugar” meu 1% para o Facebook, o que significa que o Facebook me deve esse 1% + juros. Essa é a ideia simplificada, e chamamos isso de “Bond” (Bônus). Outra possibilidade é comprar uma parte (uma “ação”) do Facebook, e isso me permitiria participar na propriedade do Facebook, o que significa que eu também receberia lucros da empresa (fonte). É isso que “Wall Street” faz.  Muita gente olha o quão monetariamente valiosa cada empresa é (muitos gráficos mostram estatísticas do mercado mundial), e então compram ou vendem “partes” delas, ou investem nelas através de Bônus.  É assim que as empresas podem crescer ou até mesmo perder valor.  Se um boato se espalha, dizendo que os usuários do Facebook estão saindo e indo para outra rede social, então as pessoas podem decidir investir menos no Facebook e possivelmente mais na nova rede social.  O valor do Facebook vai cair quando isso acontecer.playbutton

MOEDAS A PARTIR DE MOEDAS

Isso nos leva ao próximo ponto: ganhar dinheiro com dinheiro.  Já vimos como as pessoas ficam desligadas da realidade quando levam esse jogo de troca muito a sério, mas ganhar dinheiro com dinheiro?  Moedas a partir de moedas?  Como isso funciona?

Papel dinheiroDigamos que um cara chamado GoldBoss tem um grande cofre e vários guardas, e eu não tenho nenhuma condição de manter minhas moedas de ouro em segurança em casa, pois estas podem ser roubadas.  GoldBoss me diz: “Ei, nós podemos proteger suas moedas de ouro no nosso cofre, se você nos der 3% de tudo o que você quer guardar lá.”  Isto parece ser como ganhar dinheiro oferecendo proteção para recursos e serviços, mas desta vez é oferecendo proteção para o dinheiro.  Ganham dinheiro protegendo dinheiro de roubo (como soa isso?).

No entanto, a parte interessante ainda está por vir.  GoldBoss agora tem muitas moedas de ouro de outras pessoas em seu cofre. Essas pessoas geralmente seguram seu dinheiro para os gastos de curto prazo (sem gastar tudo o que eles têm guardado no cofre do GoldBoss, assim uma quantidade razoável de moedas de ouro sempre estará lá).  Então ele inventa um novo negócio: e se eu emprestasse algumas dessas moedas de ouro para quem está precisando?  Se eu entregar 400 moedas de ouro a uma pessoa, com uma taxa estipulando que devem pagar 140% do que entreguei, eu (GoldBoss) vou lucrar.  Em outras palavras, uma pessoa pobre leva as 400 moedas de ouro, mas depois tem que devolver 560 moedas, só por conta de uma regra que GoldBoss inventou. GoldBoss depende da “confiança” de que o rapaz pobre vai conseguir devolver as 560 moedas de ouro num prazo definido.  O acordo pode ser que a pessoa pobre pague 10 moedas por mês.  Assim, em 56 meses, ele terá pago o empréstimo (as 400 moedas que ele pegou, acrescidas de juros de 40%).  Há dois grandes problemas com essa forma de tributação/fazer negócios:

  1. Como você deve ter notado, GoldBoss não tinha moedas de ouro no início.  Ele está usando moedas de outras pessoas para iniciar o seu negócio.  Filho da P…!
  2. Ele pede mais moedas do que ele emprestou, e assim recupera mais do que nós tínhamos.  Essas moedas que ele pede como juros tem que vir de algum lugar.  Mas de onde?

Bem, não é difícil imaginar o GoldBoss emprestando para tanta gente que ficaria com poucas moedas para manter o seu negócio crescendo.  Fazer moedas de ouro é bem difícil, considerando que você precisaria de ouro bruto para começar a pensar nisso.  Então, ele inventa um novo tipo de ‘nota oficial’ para representar várias moedas de uma vez: o papel-moeda.  Da mesma forma que inventaram conchas especiais para usar como moedas, esse cara inventou o papel-moeda, mas desta vez não era para representar coisas reais (recursos), mas outras moedas (de papel para representar moedas de ouro), utilizando um papel caro e único que ninguém conseguiria copiar com facilidade, mas mesmo assim feito de materiais não-escassos, para aqueles que souberem como criá-los poderem criar o quanto quiserem.

Agora GoldBoss pode entregar uns papéis para quem precisa de moedas e dizer: “Este documento vale 400 moedas de ouro.  Use-o da mesma forma que moedas, mas sem ter de transportar todo aquele peso.”  Desta forma ele não precisa mais entregar todas suas moedas, mas o seu cofre ainda tem de conter todas as moedas que os papéis representam, certo?  Certo!  Ele tem um ‘orçamento’ dentro de seu cofre que agora é representado com esses papéis.  Ainda não é uma grande vantagem, porque ele ainda depende das moedas para representar seus papéis inventados.  Mas assim que esses papéis ficarem populares como unidade monetária, ele poderá muito bem imprimir esses papéis sem ter as moedas de ouro com as quais começou.  Jura?  Sério!  E é assim até hoje  (fonte). Se lembra do primeiro cara que depositou moedas no cofre de GoldBoss?  Agora ele as quer de volta, mas elas estão fisicamente espalhados pelo mundo, e até perderam um pouco de seu valor porque agora existem mais moedas de papel do que as moedas de ouro que supostamente representam.  Dê a esse indivíduo uns papéis, e que a festa comece!

Agora GoldBoss pode imprimir papéis e entregá-los às pessoas como dívidas (como fazia com as moedas), e as pessoas devem devolver ainda mais papéis (os juros novamente, como fez antes).  A única diferença é que agora GoldBoss pode imprimir novas moedas sempre que precisar de mais para emprestar.  Deveria ficar bem claro que este não é um sistema sustentável, uma vez que cria algo que chamamos de “inflação”.

Explicação da inflação: Quando o ouro (não necessariamente moedas de ouro) era usado como base para medir valores, e as pessoas descobriam uma nova fonte de ouro (talvez no fundo de uma caverna), o ouro adicional fazia o ouro já existente perder valor.  A alegria inicial da nova descoberta de ouro só durava até perceberem o seu efeito de desvalorização.  Como Jacque Fresco explicou muitas vezes: “Se chovesse ouro por 40 dias, as pessoas estariam varrendo-o para fora de suas casas.”  Se tivéssemos uma impressora que pudesse imprimir agora a quantidade de papel-moeda que quiséssemos e todo mundo fizesse isso também, não conseguiríamos usá-lo direito, porque seu valor chegaria rapidamente a zero.  Eu poderia decidir comprar 55 jatos e 34 iates, mas se todos os outros também puderem fazer isso, não haveria o suficiente para todos.  Também é provável que muito poucos, ou ninguém, iria aparecer no trabalho, já que todos poderiam imprimir suas próprias notas.  Então, ninguém trabalha, nada mais é produzido e ninguém consegue mais comprar nada com a moeda agora maciçamente inflacionada.

Moedas de RomaNa Roma antiga, moedas de ouro eram usadas para pagar as pessoas.  Num determinado momento, quando queriam construir as coisas mais depressa, mas não tinham moedas o suficiente para pagar mais pessoas para isso, eles derreteram as moedas de ouro já em uso e misturaram o ouro fundido com outros metais para que eles pudessem fazer muito mais moedas com muito menos ouro nelas, mas ainda representando o mesmo “valor armazenado”. Eles eram os ‘deuses’ das moedas, por isso, se eles diziam que tinham o mesmo valor, elas tinham.  Desta forma, eles foram capazes de “inflar” sua economia com mais moedas, conseguindo pagar mais e assim construir mais depressa.  No entanto, logo perceberam que ter um povo que tenha mais moedas para gastar criava novos desafios, e as pessoas que vendiam coisas estavam tendo dificuldades com isso.  Por exemplo, um cara que trabalhava na construção de coisas para Roma e era pago com um monte de novas moedas por isso, agora podia ir até a loja de massas e comprar todas as massas.  Mesmo se o fabricante de massas ficasse temporariamente feliz com todas essas moedas, quando ele mais tarde ia para a mulher que vende galinhas, ela dizia: “Não temos mais galinhas, porque alguém que veio antes de você comprou todas elas.”  Assim, os líderes romanos perceberam que, porque as pessoas de repente tinha mais moedas para comprar mais e mais coisas, eles tinham alterado profundamente a maneira com que as coisas eram movimentadas e simplesmente não havia o suficiente para todos.  Os recursos já não satisfaziam a demanda.

A fabricante de massas diz: “Droga!  Não tem mais galinhas!  Agora eu não consigo comprar comida com todas as moedas que eu ganhei… Não adianta!”  A mulher que cria galinhas também está chateada porque não consegue comprar suprimentos para seu celeiro.  E assim por diante.  Até o momento em que um dos vendedores pensa: “Ei, a demanda por camisetas com a cara de César tem aumentado muito desde que as pessoas começaram a ganhar tantas moedas.  Em vez de vender meu estoque inteiro tão rápido para atender a toda essa demanda, e se eu aumentasse o preço da camiseta César?  Com tanta demanda, eu ainda vou vendê-las todas, mas numa velocidade mais parecida com a qual eu consigo produzi-las e com lucro maior.” (Bem como o fabricante de sapato que podia cobrar duas vacas por eles, lembra?).  Então, ele sobe os preços, e o produtor de frango faz o mesmo, e a produtora de macarrão faz isso também, e assim por diante.  Eventualmente, tudo vai ficar mais caro, mas já que as pessoas agora têm muito mais moedas, o efeito desses preços mais elevados será quase como era antes das novas moedas.  Em outras palavras, o mercado se reestabiliza.  Eles têm mais moedas para brincar, mas as coisas que podem comprar com elas agora custam mais.

Uma coisa importante a considerar aqui é que os trabalhadores que tiveram acesso às novas moedas antes da “inflação” foram aqueles que se beneficiaram mais com isso tudo (por exemplo, montes de massas e galinhas para eles, tudo a preços ainda baixos). Assim, no início de qualquer período inflacionário, aqueles que têm as moedas recentemente cunhadas primeiro (ou papéis recém-impressos) são aqueles que se beneficiam mais.

Como os governos de hoje, os bancos nacionais, ou ambos em cooperação, são como os antigos líderes romanos e GoldBoss, e podem criar moedas, eles dão origem a esses períodos inflacionários que afetam todos nós, mas principalmente tornam algumas pessoas ricas ainda mais ricas.

Se contássemos todas as moedas, notas e moedas digitais do mundo, o número seria algo em torno de $ 5 trilhões.  Mas isso só representa menos de 10% do “dinheiro total” do mundo.  O queeeee!?Dinheiro imaginário

  • Alguém deposita 100 reais no banco e começa a loucura.
  • O banco dá esses 100 reais como empréstimo para outra pessoa, com juros de 3%.
  • Essa pessoa devolve os 100 reais + 3 reais de juros.
  • O banco dá mais 100 reais de empréstimo para outra pessoa, com juros de 3%.
  • Essa outra pessoa devolve os 100 reais + 3 de juros.
  • E a história se repete, o banco ganha cada vez mais dinheiro com os 100 reais que não possuía.

Imagine quanto dinheiro o banco vai ganhar em anos de empréstimo da mesma grana com juros…

Nesse meio tempo, as notas que substituíram as moedas de ouro tornaram-se tão valiosas quanto as próprias moedas.  Se eu depositar 100 reais numa conta bancária, o banco não armazena esse dinheiro para mim.  Ele irá emprestá-lo para outra pessoa, e essa pessoa deverá devolver uma quantia maior (na forma de juros sobre o empréstimo, lembra?).  Do dinheiro devolvido, o banco fica com um lucro (os juros) e o restante, mais uma vez, é emprestado para outra pessoa.

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Repare que a pessoa que emprestou 100 reais e eu temos 100 reais cada. Então temos, ao mesmo tempo, o mesmo poder de consumo: eu o tenho armazenado no banco, enquanto ela o tem no bolso.  A partir de uma operação tão simples como esta (na realidade, as regras monetárias tornam isso muito, mas muito mais complexo), o poder de consumo é duplicado. No entanto, não podemos gastar os 100 reais ao mesmo tempo, uma vez que existem apenas 100 reais de dinheiro real.  O banco conta que vou manter o meu dinheiro guardado no banco enquanto a outra pessoa precisa da quantia, assim o banco ‘mente’ para mim sobre o fato de eu ter o meu dinheiro.  Na verdade, o banco não precisa criar dinheiro novo, apenas faz circular o mesmo dinheiro, tirando lucro de tudo, e o tempo todo ‘promovendo’ um poder de compra falso.  Claro, existem mais regras para esse jogo transacional, como você pode ver aqui , mas essa é a ideia básica.

No exemplo simplificado acima, o “dinheiro” físico era 100 reais, mas o “dinheiro total” (poder de compra) rapidamente se tornou 200 reais.  Este exemplo ajuda a explicar como o “dinheiro total” é sempre muito maior do que o dinheiro “real” (físico).  Se uma espécie alienígena pudesse ver nosso aspecto financeiro, veria que temos um poder de compra de cerca de 60 trilhões de dólares na teoria, mas na realidade, há apenas cerca de 5 trilhões de dólares para gastar (fonte).

Se todo mundo fosse ao seu banco amanhã para retirar seu dinheiro, descobririam que os bancos não o tem.  No entanto, se as pessoas que devem dinheiro aos bancos pagassem suas dívidas amanhã, os bancos teriam dinheiro em abundância para pagar a todos.  Então, basta ter em mente que há uma enorme diferença entre a oferta de moeda física e poder de compra (dinheiro total). O dinheiro que existe fisicamente, o material “real”, é chamado de “moeda”, enquanto a oferta total de dinheiro é mais simplesmente chamada de “dinheiro”.  É importante entender a diferença, pois os termos são muitas vezes utilizados de forma incorreta e é muito difícil evitar o erro, até mesmo neste artigo.

As coisas ficam muito mais confusas quando uma nova moeda (lembre-se, o dinheiro “real”) é criada através dos bancos centrais. Estes bancos criam nova moeda (digital ou não) e a “injetam” em bancos comerciais.  Os bancos têm agora mais moeda disponível para as suas necessidades, o que vai realmente “inflar” o poder de compra porque agora ambos, aquela garota e eu, podemos ter os nossos 100 reais para gastar ao mesmo tempo, já que o banco de repente tem a moeda extra para que isso seja possível.  Os bancos também podem emprestar ainda mais dinheiro para novos credores.  Como consequência, esta nova moeda promove a criação de ainda mais “dinheiro”, o material não-real.  Os bancos centrais (bancos chefes) criam moedas e os bancos de nível “consumidores’ (bancos comerciais) criam dinheiro a partir dessa moeda, ao mesmo tempo que a inteira criação desse dinheiro provoca a inflação em todo o sistema (o aumento dos preços, reduzindo o valor de suas economias, irritando as pessoas, etc. – fonte).

Assim como os bancos centrais podem criar esse tipo de inflação, eles também estão em posição de estabilizá-la.  Para lidar com a inflação, o banco central tem o poder de intervir, declarando a todos os bancos: “A partir de hoje, as taxas de juros dos novos empréstimos (crédito) será maior”, e assim, os bancos vão começar a anunciar às pessoas: “Em vez de cobrar juros de 3%, estamos agora cobrando 5%.”  Isso faz com que as pessoas peguem menos dinheiro emprestado, gastando menos, e assim, trabalhando para estabilizar a inflação, pois o fluxo global de dinheiro é reduzido.  É semelhante à forma como as pessoas anteriormente elevavam os preços do pão e galinha, a fim de diminuir o consumo/demanda.

Se você acha que isso é loucura, você provavelmente vai adorar o que vou dizer a seguir.  Quando o consumo diminui muito devido aos jogos do banco central, cria-se o oposto da inflação, e você provavelmente já adivinhou: a deflação.  Quando as pessoas consomem menos, eles movimentam menos dinheiro em torno do sistema, e uma vez que hoje em dia tudo está interligado monetariamente, isso afeta negativamente os salários, emprego e produção, provocando por consequência redução na demanda, e assim por diante.  Claro, isso é uma coisa ruim, pois vivemos em um mundo onde temos o DEVER de consumir como loucos, ou então o jogo monetário vai quebrar e falhar.  Então, quando o banco central vê este crescimento potencial, pode adivinhar o que ele faz.  Simplesmente cria ainda mais moeda e reduz as taxas de juros para os bancos para que mais dinheiro possa entrar no sistema. Isto acontece frequentemente num ciclo.  Estes ciclos ocorrem geralmente a cada 5-8 anos.  Como os Reis Romanos e comerciantes do passado, os “Reis” atuais podem estabilizar a economia com êxito por um tempo com cada um desses ciclos, mas como dinheiro é criado o tempo todo, e as pessoas raramente têm sucesso em tornar-se livres de dívidas, o mundo inteiro está em um estado perpétuo de aumento do consumo e crescimento da dívida que talvez nunca poderá ser liquidado.

ISSO é loucura!

Eu recomendo que você assista a este vídeo de 30 minutos que explica todo o labirinto de regras complicadas da economia, apenas para ter uma noção de como os seres humanos chegaram a essas regras complicadas. playbutton

Mais uma vez, por favor não se perca nestas regras.  A coisa mais importante a reconhecer é que se trata da circulação de coisas e de tirar proveito de serviços.  Isso tudo se tornou incrivelmente complicado, pois eles continuamente têm adicionado tantas regras novas, que são dependentes de outras regras, do comportamento de pessoas, da escassez de recursos, e assim por diante e, claro, mais e mais dessas regras tornaram-se dissociadas da realidade.

 

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