O Jogo Monetário e Além – TVP Magazine (Parte 6)

Autor: Tio | Editor: Ray

Tradução e Revisão por membros do Time Linguístico:

Tradução: Gustavo Canto, Rodrigo Fanhoni, Lucas Brilhante e Luiza Nora;
Revisão: Graciela Kunrath Lima, Bruna Sahão e Gabriel Bizzotto
Design: Bruno Boguszewski e Carlos Alberto Andres

Esse artigo foi traduzido a partir do original em inglês “The Money Game and Beyond”, publicado na TVP Magazine, disponível aqui.  A tradução dos artigos desse ebook serão divulgados aqui no MZBlog numa série de publicações. Esta é a Parte 6.  As partes já publicadas podem ser acessadas abaixo:

Parte 1 – Introdução

Parte 2 – Movimentação de Coisas e pessoas: Introdução | O Dilema | Quadros e Pixels

Parte 3 – Movimentação de Coisas e Pessoas: Inventando o Dinheiro

Parte 4 – Movimentação de Coisas e Pessoas: A Confiança | A Loucura

Parte 5 – Movimentação de Coisas e Pessoas: O Negócio | Moedas a partir de moedas

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1 – MOVIMENTAÇÃO DE COISAS E PESSOAS

(Custo Eficiente e O Valor Real das Coisas)

CUSTO EFICIENTE E O VALOR REAL DAS COISAS

Como mencionado anteriormente, com o advento da mecanização as pessoas viram que eram capazes de produzir ainda mais, permitindo assim que uma crescente quantidade de coisas fossem movimentadas por aí.  Hoje em dia, seu prato de comida pode conter cinco itens de cinco tribos diferentes.  Parece ser um grande sistema que nos permite desfrutar de luxo, conforto e oportunidade, mas é muito ingênuo no sentido de ignorar dois aspectos muito importantes em tudo isso:

  1. Você se lembra dos Reis ‘Fulanos’ (III e IV)?  Eles queriam escravos, leões, pratos exóticos e mulheres enviadas para eles.  Eles foram capazes de expressar esses valores distorcidos por causa do mercado e a mesma coisa acontece ainda hoje, mas em uma escala muito maior.  Quanto mais ‘fulanos’ existirem, ou seja, pessoas com valores distorcidos criados por um frenesi de consumo, mais formas para satisfazer estes ”clientes” serão criadas, simplesmente porque satisfazê-los significa lucro para outros.
  2. Penso que é certo dizer que a única razão para você achar um determinado vinho da França incrível, ou um prato de comida feita de cinco tipos de alimentos diferentes de cinco tribos diferentes delicioso, ou uma “rara” pintura tão linda (não são todas as pinturas bonitas, ou estranhas, raras?),  é devido à atual cultura do consumismo.  Tudo devido à publicidade, à ideia criada na cabeça das pessoas para quererem essas coisas ‘exóticas’. Estamos acostumados a pensar que a capacidade de ver alguns ursos polares em um clima quente (zoológico) é uma grande vantagem, para o nosso próprio entretenimento ou qualquer outra coisa, mas estes nada mais são do que os valores projetados por um mundo consumista.

HOJE: Custo Eficiente e O Valor Real das Coisas

Vamos considerar a seguinte lista de itens:

tzm ITENS

Estamos todos familiarizados com esses, e a maioria de nós temos acesso a todos eles (alguns em uma base diária), mas o que a maioria de nós não sabe é a história por trás de cada um desses produtos.  Aprender a história por trás deles e como eles são produzidos fornece um retrato muito mais claro do sistema de hoje, porque a lista abrange as maiores indústrias (‘movimentos’ comerciais) do mundo atual: têxteis e materiais raros, eletrônicos, alimentos e mais um (como verá em breve).

Iphone: Vamos começar com o iPhone (ou qualquer smartphone). Este é um produto feito pela tribo dos Estados Unidos, mas só foi projetado lá, e é fabricado (montado) principalmente na China.  Por quê?  Custaria à Apple 4,2 bilhões de dólares a cada ano para mover seu negócio de volta para os EUA.  Eles pagam cerca de 2% em impostos por seus telefones na China, enquanto que nos EUA saltaria para 35%.  Eles terceirizam o processo, pois é muito mais rentável assim.  Os trabalhadores chineses da linha de montagem também recebem muito menos do que os trabalhadores norte-americanos e têm piores condições de trabalho: com seus funcionários exaustos em seus turnos de 12 horas.  A maioria não tem outra opção, a não ser aceitar estas condições.  A linha de montagem é apenas uma parte da história, pois o material necessário para fazer esses telefones também está empregando uma série de processos destrutivos.  Estanho é um material usado em todos os aparelhos eletrônicos e é extraído principalmente por pessoas pobres que trabalham sob condições muito perigosas. Muitos morrem extraindo o material, muitos trabalham até a exaustão, criando o que é chamado de “mercado negro” (apenas outro tipo de comércio que não é “aceitável” para algumas tribos), onde estes materiais são vendidos para vários indivíduos e empresas como a Apple.  O meio ambiente também sofre muito devido a essa extração, pondo em risco recifes de coral e poluindo a água.  Este documentário da BBC mostra tudo isso.

mapa iphone

Os microprocessadores, lentes de câmera e as telas do iPhone são feitos no Japão e Taiwan (fonte), mas essa é a história da  maioria dos smartphones, e talvez de todos os aparelhos eletrônicos. Eles são feitos a partir de peças e essas peças são feitas de diferentes materiais minerados ou produzidos por várias tribos.  Depois de garantir o material necessário, você normalmente constrói as peças em outras tribos, depois monta as peças em produtos ainda em outras tribos, para então serem transportados e vendidos aos consumidores em todo o mundo.

Todo esse movimento insano de recursos e serviços acontece porque isso é economicamente eficiente; não eficiente em recursos ou energia, mas monetariamente eficiente.

garimpo2Pessoas de todas as idades trabalham na mineração de estanho, em más condições.

Trabalhadores na China e Taiwan trabalhando no novo Iphone 6 poderiam ser facilmente substituídos por máquinas automáticas, mas usar o trabalho humano ainda é mais barato do que comprar, instalar e operar essas máquinas.

Hambúrguer: Dedicamos um artigo inteiro à criação de gado para mostrar o quão destrutivo isso é para a saúde humana e para o meio ambiente. Mas toda a indústria alimentar é a que mais desperdiça e importa desnecessariamente de outras tribos.  Tomates cultivados na Espanha fazem o seu caminho para os EUA, enquanto frutos do mar são transportados do Japão para a Alemanha.  Você pode ler o nosso artigo TVPM relativo a resíduos para para ter noção da gravidade disso tudo.

Para uma amostra de “aperitivo”, eis o que vai num típico hambúrguer e batatas fritas americano: a carne é cultivada no Brasil, com seu invólucro de papel feito de madeira vietnamita que é processada em uma fábrica da Indonésia, as batatas são fritas em óleo de palma da África Ocidental, temperadas com sal do Chile e decoradas com ketchup fabricado na China (fonte). Aqui estamos simplificando extremamente todo esse processo, então você provavelmente pode imaginar que muito mais vai para o transporte de todos esses ‘itens’, bem como outros temperos, tipos de batatas, potência necessária para os grills e fritadeiras, e assim por diante, tudo para trazer-lhe uma refeição muito simples (e não tão saudável).

Em resumo, essa dança mundial frenética de alimentos é outra área de “comércio” insana entre as tribos, e um desperdício de recursos e energia “fora deste mundo”.

Considere que se muita gente quer um prato especial (a “procura” influenciada, principalmente, por uma cultura baseada no consumo), sempre haverá alguém que irá fornecer este prato para eles, independentemente da quantidade de recursos e energia que serão gastos para obtê-los.  Muitas pessoas morrem durante a tentativa de ‘caça’ de animais perigosos ou criaturas marinhas exóticas, simplesmente porque alguém está disposto a pagá-los para fazer isso de forma que alguém possa então vender esses alimentos para seus clientes.  Há tantas pessoas que trabalham em condições precárias em fazendas, frequentemente expostas ao sol por várias horas, só para colher algumas frutas ou vegetais que poderiam ser facilmente cultivados por meios automatizados. Novamente, se é financeiramente mais barato plantar tomates na Espanha e importá-los para os EUA, apenas porque os trabalhadores, impostos, etc são mais baratos lá, então é isso que o sistema monetário/cultural de consumo de hoje obriga a fazer, ignorando o fato de que até agora mais energia e recursos são desperdiçados desta maneira do que usar tomates cultivados nos EUA com automação .

Chocolate: Falando de alimentos, seu chocolate preferido é feito a partir de uma planta que tem de ser colhida, e seus grãos, em seguida, extraídos, secos e processados. Nós o comemos em bolos, bebida achocolatada, etc, mas todos os tipos de chocolates são feitos a partir da semente de cacau. Para crescer, a planta precisa de áreas tropicais chuvosas muito quentes, por isso, se você quiser fazer chocolate na Europa, América do Norte ou na Austrália, você não pode plantá-la localmente para economizar recursos, embora eu suspeite que é tecnicamente possível utilizar agricultura climatizada artificialmente (estufas), se o dinheiro não atrapalhasse.  De qualquer forma, essas plantas são cultivadas principalmente nas partes mais úmidas da África Ocidental e o resto do mundo as importa de lá para que possamos degustá-lo.  Não é amplamente conhecido que esta prática vem com umaescravo do cacau enorme perda de vidas humanas, já que a indústria de cacau, talvez mais do qualquer outro setor, escraviza crianças. Como eles não pagam essas crianças, essa prática ajuda a tornar seus preços competitivos, embora algumas plantações possam pagar a outros para sequestrar e entregar esses jovens trabalhadores a eles.  Segundo relatos, uma criança custa em média US$260, que inclui o transporte e a utilização infinita da criança.  Algumas das crianças são até mesmo “vendidas” para plantações por suas próprias famílias, desconhecendo as condições de trabalho em uma plantação.

Mas também há crianças que se oferecem para trabalhar sob tais condições e por salários muito baixos, apenas para ajudar a sustentar suas famílias.  As condições nessas plantações são mais do que precárias, como você pode imaginar: longa exposição a pesticidas, motosserras e objetos afiados, como facões pesados ​​que podem machucá-las gravemente, longas horas de trabalho (das 6h da manhã até o anoitecer), má alimentação, pouco descanso, elas são frequentemente espancadas se não trabalharem rápido, e assim por diante. Essas crianças podem até trabalhar com grãos de cacau, mas nenhuma delas jamais provou chocolate.  É estimado que mais de 1,8 milhões de crianças foram abusadas desta forma.

Deslocar as fábricas de processamento para perto dessas plantações reduziria as toneladas de grãos de cacau transportadas a cada ano, mas as grandes empresas reconhecem que as tribos onde o cacau é plantado não são seguras o suficiente para eles operarem (lembre-se: os impostos inicialmente tomaram forma através da oferta de proteção).  Dadas as atuais condições culturais de lá, faz mais sentido colocar um fim a esta escravidão infantil ou melhorar drasticamente suas condições de trabalho.  Infelizmente a demanda do resto do mundo para que o cacau e chocolate continuem baratos significaria uma enorme redução em seus orçamentos operacionais, talvez tão grande que não seriam capazes de produzir.

Para as grandes empresas multibilionárias (Hershey, Mars e Nestlé), é mais eficiente que todo este sistema de crianças escravizadas em más condições de trabalho continue intacta. Eles gastam pouco (ou nada) no apoio a essas vidas e têm pouco ou nenhum interesse em resolver essas questões, especialmente porque esse tipo de problemas pode facilmente ser apontado como um problema de outra tribo. Este documentário destaca toda essa situação escandalosa.

escravo do cacau 1É importante compreender que o mesmo problema existe nas plantações de café, onde muitas crianças escravas acabam trabalhando sem compensação de modo que toda a indústria possa gastar menos com os trabalhadores e assim lucrar mais.  Um preço significativo também é imposto ao meio ambiente, mas vai muito além disso: explora também inúmeros animais.  Veja bem, alguns grãos de café são destacados por serem mais “saborosos” (para algumas pessoas) só depois que Civet de palma (Ocelote), pequenos mamíferos encontrados nas selvas da Ásia, comem o grão e o defecam de volta.  Os animais são mantidos em pequenas gaiolas e forçados a comer os grãos.  Trabalhadores em seguida, ‘coletam’ aqueles grãos defecados para que sejam vendidos a preços significativamente mais elevados.  Até mesmo elefantes são utilizados para um processo semelhante (fonte).

Oceloteexcremento caféCivet de palma em gaiolas, “ordenhados” para obtenção de grãos de café ‘saborosos’

Joias: Pense em diamantes, ouro e prata. Todos bem brilhantes e, além de sua natureza intrínseca (muito úteis na condutividade, isolamento e mais), materiais completamente inúteis na forma como eles são comercializados hoje e usados por pessoas em joias.  Isso tem dois aspectos que nos fazem refletir sobre o ‘valor’ de um recurso:

Primeiro olhe para o uso de um recurso.  O ouro, por exemplo, conduz eletricidade de forma eficaz, não perde seu brilho e é altamente maleável.  Pode ser utilizado em cabos, facilmente martelado em folhas finas, derretido e moldado em formas altamente detalhadas e ligado com vários outros metais para ganhar novas propriedades. No entanto, o principal uso do ouro é em joias (cerca de 50% de todo o ouro), enquanto 40% dele fica ocioso em investimentos e apenas 10% é usado na indústria (fonte). Diamante é um dos materiais mais duráveis, se não o mais durável, conhecidos pela humanidade.  A maior parte de seu uso atual parece ser prático, mas a sua utilização em joias torna os diamantes muito mais caros, uma vez que o preço é aumentado por serem fisicamente mais escassos para o uso prático e porque culturalmente aumenta a demanda por joias com diamantes (o quanto mais as pessoas querem, menos haverá disponibilidade por causa da alta demanda, como no artigo anteriormente citado na situação com macarrão e galinhas, onde as pessoas poderiam cobrar mais ‘moedas’ por isso).Ouro

O segundo ponto é como uma etiqueta de preço não reflete a utilidade ou a verdadeira escassez de recursos.  Por quê?  Se você pegar os 40% do ouro atualmente utilizado em investimentos (que é apenas armazenado e não está sendo utilizado) e adicioná-lo aos meros 10% do ouro que está disponível para a indústria, o preço do ouro diminuiria drasticamente para a utilização industrial. O recurso desfrutaria de um salto de 500% em sua disponibilidade (abundância de acesso!).  Agora junte todas as joias inúteis e você ainda dobra a quantidade de ouro para uso industrial (um salto de 1000% sobre a sua disponibilidade atual). Isso provavelmente tornaria o ouro extremamente barato para uso prático. O ouro só parece ser escasso ou caro por causa da forma como é usado no jogo monetário, que não está refletindo sua real disponibilidade.

Diamantes são também um recurso escasso.  Será que são mesmo?  Neste exato momento podemos produzir diamantes em laboratório com custo monetário menor, e a dureza, condutividade térmica e mobilidade dos elétrons dos diamantes sintéticos são superiores às dos diamantes naturalmente formados (fonte). Os diamantes são usados ​​em joias devido à uma mistura de influência cultural e à ideia de ser um material escasso.  Então porque, ainda hoje, apesar dos diamantes sintéticos serem mais baratos, os diamantes ainda são vistos como sendo valiosos?  Bem, são os valores pessoais (mais uma vez).  Embora os diamantes sintéticos usados ​​em joias sejam 20-30% mais baratos, muitas pessoas ainda preferem os “naturais”, porque sim… Isso destaca muito claramente como o “valor” de um determinado recurso é muitas vezes baseado somente no valor que as pessoas percebem desse recurso, e que a percepção é um subproduto direto de um mundo cheio de marketing baseado em dinheiro – um sistema de comércio enlouquecido e severamente desequilibrado da realidade.

Ambos, diamantes e ouro, podem ser vistos como recursos ‘escassos’ apenas dependendo de como você interpreta essa afirmação.  Não há falta de qualquer recurso para uso prático, mas amarrá-los a investimentos monetários e às crenças e valores das pessoas muda drasticamente o quão valiosos esses recursos parecem ser.  Você se lembra quando dissemos que o sistema de comércio sempre reflete a cultura e a necessidade percebida (você não seria capaz de vender um smartphone 2.000 anos atrás)?  Bem, não muito tempo atrás, o alumínio era um recurso ‘valioso’, tanto por uma questão cultural quanto por motivo de escassez, tanto que os reis tinham mesas, pratos e garfos de alumínio para mostrar sua riqueza e influência.  Diamantes e ouro são vistos como valiosos no mundo monetário de hoje pelo mesmo motivo.  O alumínio se tornou menos valioso quando várias metodologias foram desenvolvidas para sua mineração e refinamento, tornando-se um recurso abundante. O mesmo vai acontecer com diamantes e ouro quando métodos para torná-los abundantes e disponíveis forem aprimorados para além das barreiras culturais e do sistema de mercado existentes.  Mas espere um minuto, pois a situação atual é bem pior do que temos discutido até agora.

Diamantes fornecem evidência científica chave de que o núcleo da Terra é um lugar altamente denso e quente, já que diamantes só podem se formar nessas condições.  Eles são a chave para entender aspectos de núcleo da Terra, deriva continental e a idade do planeta.  Alguns diamantes também têm um pouco de “sujeira” dentro deles; material que ficou preso dentro e muitas vezes fornece informações científicas essenciais sobre a Terra.  Mas essa sujeira preciosa é considerada “lixo” para as pessoas queDiamantes sujos recolhem os diamantes para uso em joias, por isso estes são “lavados” para “clareza” e “beleza”.  Isto ilustra mais um exemplo dos valores altamente distorcidos de “consumidores”.  Exemplos dessa distorção se multiplicam. Por exemplo, algumas pessoas agora estão literalmente comendo ouro em seus alimentos, embora este não tenha gosto, apenas pelo valor artificial que projetam nesses recursos.

Uma Lamborghini Aventador 2015 custa cerca de US$400.000, não porque é 40 vezes melhor do que um carro de 2015 de US$10.000, mesmo que seja um pouco mais rápido (algo de pouca utilidade no mundo) e, talvez, feito de materiais melhores.  O preço reflete principalmente uma cultura de privilégio.  Este carro é escandalosamente caro, porque é um objeto de ‘luxo’.  Uma ‘joia’ veicular.

O quadro que mencionamos anteriormente que custa o mesmo que 1.000 moradias foi recentemente vendido por US$179.000.000! Sim, 179 milhões de dólares.  Se pudéssemos voltar no tempo até onde o “comércio” começou e perguntar para alguém: “Aqui temos um monte de bosta de vaca, e aqui temos um quadro.  Qual desses você prefere em troca de um par de sapatos?”  Pode ter certeza de que a pessoa responderia: “A pilha de bosta de vaca, é claro, porque posso usá-la como fertilizante.”  Tire um tempo para refletir realmente profundamente sobre isso.  Essa tela de Picasso tem um valor de 179 milhões de ‘coisas’ (dólares em moeda de hoje), que se traduz em um valor armazenado de muitas casas, carros, tanta comida nutritiva que você nunca poderia comer em uma vida, etc…  Sério?!?  Como é que isso se relaciona com os recursos do mundo?  Como é possível que tal recurso, uma tela que já foi replicada bilhões de vezes em formatos digitais e outros formatos, evolua e mantenha um valor artificial tão alto?

preço de carros

A resposta espelha o conceito de joias: o comércio ficou louco!  Isso não é exagerado e esta desconexão comercial torna-se ainda mais louca quando o valor é gradualmente refletido em moeda e não em recursos reais.

A indústria do diamante ainda escraviza pessoas de todas as idades, ainda exerce um enorme impacto no meio ambiente e já matou muitas pessoas, tudo por causa do comércio. O mesmo vale para, talvez, todos os aspectos da indústria de joias, uma indústria que não tem qualquer valor real além de uma “norma” cultural criada e fortalecida pela moeda e pelo jogo monetário.

Moda: Olhe para a etiqueta da sua camiseta. O que está escrito aí? Made in China?  Camboja?  Taiwan?  Bangladesh?  Indonésia?  Vietnã?  É provavelmente um desses, já que a grande maioria das roupas são feitas nessas tribos.  Por quê?  É (novamente) rentável, o que significa que custa menos dinheiro para produzi-los lá, e aqui está o porquê.

Vamos seguir a história de uma camiseta.made in

Em primeiro lugar, necessitamos de algodão, que é produzido por uma planta. Nós plantamos a planta em uma plantação.  Plantações foram manejadas por escravos na maior parte da história humana, mas atualmente são geridas principalmente com o uso de máquinas.  A planta que produz o algodão para a nossa camiseta é da tribo EUA; Mississippi para ser mais preciso.  Uma vez crescido, colhido e separado, o algodão é enviado para a Colômbia, Indonésia, ou talvez Bangladesh, onde é processado de planta para tecido, principalmente por máquinas, embora pessoas ainda sejam necessárias para fazer camisetas com o tecido produzido. 97% das roupas vendidas nos EUA não são feitas nos EUA.  Em todo o mundo, cerca de uma em cada seis pessoas trabalha na indústria da “moda”.  Muitos trabalham muito mais do que dormem, muitos são pagos apenas no limite da sobrevivência e todos eles vivem em situação muito pior do que aqueles que comprarão as camisetas.  Já viu isso antes?  Bem, a história não termina aqui.  As camisetas ainda precisam de embalagens, caixas e contêineres para o transporte. Os contêineres devem ser transportados por via aérea, terrestre e/ou marítima. Todos esses modos de transporte requerem combustível, e o combustível precisa ser extraído, refinado e transportado até eles.  Tudo isso (e mais tanto que não dá para detalhar aqui), apenas para produzir uma camiseta. Você pode se perguntar por que as pessoas não estão fabricando camisetas na tribo EUA, como se as pessoas dessas outras tribos fossem algum tipo de especialistas na arte da fabricação de camisetas.  Em vez de transportar e minerar/refinar isso tudo de uma tribo para outra e contratar pessoas de outras tribos, não seria financeiramente mais barato fazer isso nos EUA?  Bem, a resposta tem a ver com o dinheiro novamente.  Se o negócio é monetariamente mais barato assim, perambulando pelo planeta Terra de um canto para o outro, então é assim que vai ser feito, porque é assim que o mercado funciona.  Veja, essas pessoas em Bangladesh ou Colômbia são pagas 10 a 20 vezes menos do que as pessoas seriam pagas nos EUA se elas estivessem fazendo essas camisetas. Por isso é mais eficiente, mas certamente não em termos de recursos e energia consumidas.   Como em todos os outros casos, só o dinheiro vale (fonte).

A maioria dos produtos ligados à moda, como roupas, são feitos desta forma. Lembre-se que ‘tendências’ de moda são intencionalmente e frequentemente mudadas hoje em dia, devido ao sucesso financeiramente rentável da cultura do consumismo.  Em consequência, roupas boas são descartadas cada vez mais rápido após a compra.  As pessoas no Camboja muitas vezes compram roupas usadas que eles mesmos fizeram, mas que tinha ido dos EUA (em forma de algodão) para eles, e deles para os EUA (em forma de roupas novas), e depois de volta para eles novamente (como bens, descartados, mas geralmente com “estilo ultrapassado​​’).  Recomendo esses dois documentários (1 , 2) para dar uma olhada no mundo da moda, e pode também conferir este pequeno documentário sobre como crocodilos são criados e mortos em fazendas “especiais”, apenas para produzir bolsas caras com sua pele. Lembre-se que é apenas mais um exemplo do assassinato sem sentido de animais para produtos de moda.

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