O mito da democracia

Artigo escrito por Marcelo Machado

"Akropolis by Leo von Klenze" by Leo von Klenze - Neue Pinakothek (Gallery), Munich. Licensed under Public domain via Wikimedia Commons - http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Akropolis_by_Leo_von_Klenze.jpg#mediaviewer/File:Akropolis_by_Leo_von_Klenze.jpgDemocracia significa governo do povo, ou poder do povo. Tentando seguir esta definição, pretende-se que a democracia seja um sinônimo de liberdade e o oposto de oligarquia e aristocracia, ou seja, que não constitua a imposição das vontades de uma pequena elite em detrimento da maioria da população. Porém, independente de sua definição, a democracia tem sido usada para encobrir o real estado de elitização na tomada de decisões que abrangem a sociedade. Na Grécia antiga, onde surgiu, a democracia era acessível somente aos cidadãos, uma parcela da população que “excluía mulheres, escravos, estrangeiros, os que não eram proprietários de terras e os homens com menos de 20 anos de idade. Dos cerca de 200 a 400 mil habitantes de Atenas na época, havia entre 30 mil e 60 mil cidadãos.” Mesmo nas democracias modernas, onde podemos encontrar o acréscimo de novas características à democracia, como a liberdade civil, o sufrágio universal, os direitos humanos, o pluralismo político, a separação dos poderes etc., ainda assim os governos possuem fortes elementos oligárquicos e plutocráticos.

Em nossa era contemporânea, podemos notar como o sistema de governo, que em geral é a democracia representativa, é manipulado por grupos econômicos muito poderosos. O poder político é totalmente controlado pelos interesses do poder maior, o econômico, que é exercido em maior parte pelos grandes bancos e corporações internacionais. Os representantes eleitos, por serem financiados pelo poder econômico, acabam lutando apenas por aquilo que beneficie os interesses desta elite, que no geral se resume a lucrar, independente dos custos sociais que isto acarrete. Os interesses do povo, ou seja, a maioria que em teoria deveria estar no poder, ficam relegados a último plano, sendo feito por eles apenas o básico necessário para que a sociedade não estagne por completo. Quando não corrompidos pelo dinheiro, os nossos representantes políticos também podem ser chantageados, desacreditados ou até mortos, se destoarem muito daquilo que os grupos dominantes pretendem para os rumos da economia. A verdade é que isto tudo é a tendência natural dentro do sistema de governo atual, pois ele é criado e moldado pelo sistema econômico vigente conforme suas regras internas.

728px-Dictatorial_democracy“O que não se fala é sobre a realidade que rompe essa dualidade de que o Estado, na sua forma histórica, é uma extensão do próprio sistema capitalista. O governo não criou este sistema. O sistema criou o governo, ou, mais precisamente – os governos se desenvolveram como um instrumento. Todos os sistemas socioeconômicos têm suas raízes na base do desdobramento industrial e na sobrevivência básica. Assim como o feudalismo, baseado em uma sociedade agrária, orientou sua estrutura de classe nas relações com a terra para produção de subsistência, o mesmo é válido para as chamadas “democracias” do mundo de hoje. Portanto, a ideia de que o governo de estado não tem relação ou influência do capitalismo é uma teoria puramente abstrata, com nenhum fundamento na realidade. O capitalismo essencialmente moldou a natureza do aparato governamental e seu desdobramento – e não o contrário.”Guia de Orientação do Movimento Zeitgeist | Uma Nova Forma de Pensar

A democracia atual, conhecida como democracia representativa, não tem muito em comum com a democracia exercida nos seus primórdios. Na Grécia antiga a democracia existente era a democracia direta. Este tipo de democracia pura é pouco utilizada em nossos tempos e de forma bastante limitada. Porém, mesmo ela, apesar de ser defendida por alguns grupos como o melhor modelo de governo, ainda assim é insuficiente para a tomada de decisões eficientes que levem ao equilíbrio, tanto da sociedade como do meio natural que a suporta. Isto se dá porque, seja numa democracia direta ou numa democracia representativa, a massa populacional, por si só, não possui imparcialidade nem conhecimento sobre o funcionamento dos mecanismos geradores dos fenômenos relacionados à natureza humana e ao ambiente natural como um todo, essenciais na tomada de decisões conscientes e acertadas:

“O MZ não apoia a democracia de massas, pois esta se baseia na suposição equivocada de que cada participante é educado/informado o suficiente para tomar as decisões intelectualmente mais adequadas e imparciais.

Tomada de decisão adequada não tem nada a ver com os interesses de um grupo de pessoas, nem com os interesses de uma única pessoa. Tomada de decisão adequada é um processo puramente técnico de avaliação lógica de um determinado conjunto de variáveis ​​e, portanto, só pode ser baseado em referentes técnicos e tangíveis – e não em valores abjetos e em suporte de opinião de massas, que a teoria da democracia pura, erroneamente, pressupõe serem íntegros. Em outras palavras, cada argumento de um determinado membro deve ser logicamente apoiado por um referente ou conjunto de referentes externos.”Faq do Movimento Zeitgeist

Como afirmou Peter Joseph, “economia não é apenas uma abstração arbitrária para processar e distribuir recursos. É um moldador de valor fundamental que nos programa em modos de comportamento que se estendem a todas as áreas de nossa psicologia.” Olhando-se objetivamente a questão, sem apegos emocionais a valores pré-estabelecidos, percebe-se exatamente isto, que o que realmente conta e que interfere diretamente na vida cotidiana de cada pessoa, moldando a forma como cada um age, é o sistema de produção e distribuição utilizado para a manutenção da vida humana, ou seja, o sistema econômico. Governos, seja qual for o sistema adotado, são invenções utilizadas para manter artificialmente em funcionamento, por meio de coerção, economias que são disfuncionais por não estarem alinhadas com a natureza, que é o único sistema que realmente existe. Como resultado, uma enxurrada de leis, regras e punições são criadas apenas como um remendo para aliviar os efeitos colaterais de um sistema econômico sem fundamento na realidade, que não atende às necessidades naturais dos seres humanos e às demais exigências das leis da natureza, que são as únicas leis que de fato existem e que não podem ser ignoradas, sob pena de produzir-se consequências extremamente desagradáveis. O que precisamos verdadeiramente não é de um sistema de governo ideal, mas sim de uma nova economia que esteja em harmonia com o sistema natural, o que automaticamente tornaria sem sentido a instituição de sistemas formais de governo.

David Alfaro Siqueiros The new democracy 1941 42

“Este artigo não expressa necessariamente uma opinião do MZ, mas de seu autor.
O mérito está na contribuição para a discussão da linha de pensamento defendida pelo movimento.”

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