O mundo como uma rede

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Atualmente, o mundo é uma grande rede de cidades, de diferentes tamanhos, mas todas interligadas e cada vez mais próximas, representando um percentual cada vez maior da população mundial.

A evolução social foi, de certa forma, uma transição de ambientes isolados de produção – fazendas, castelos, minas, fábricas – para ambientes de convívio e de intercâmbio cultural. A cidade pode ser entendida como um modelo ótimo de organização social: uma comunidade suficientemente pequena para compartilhar o mesmo espaço físico, mas suficientemente grande para reunir diferentes talentos, ofícios e serviços, onde o produto das trocas e interações humanas é mais que proporcional ao esforço empregado na infra-estrutura do meio físico.

As cidades tornaram-se cada vez maiores e mais importantes até ceder lugar aos grandes Estados nacionais, e a partir daí a cidade perdeu importância política até culminar na recente tendência de transnacionalização dos Estados – ou seja, órgãos supranacionais, às vezes representando blocos de países, mas muitas vezes representando interesses difusos, inclusive de corporações, tornam-se cada vez mais os responsáveis pelas grandes decisões que ditam a política interna de cada país.

Com isso, as instâncias de decisão se distanciaram das comunidades, rumo a burocracias estatais ou corporações privadas. As consequências práticas são a perda de autonomia e o descolamento entre o que uma população deseja – ou necessita – e o que seu Estado propõe fazer por ela – ou permitir que ela faça.

Em uma típica cidade moderna, alguns dos grandes problemas percebidos seriam o sistema de saúde, a mobilidade, a acessibilidade, a habitação, mas quem define as prioridades é o abstrato Estado, mais preocupado com a economia internacional e os níveis de consumo e refém de soluções que, em vez de efetivamente resolver os problemas, servem como oportunidades de negócio para os patrocinadores desse Estado.

As cidade do século 21 requerem soluções eficientes e auto-suficiência em energia, comunicações, transporte e até mesmo produção de alimentos. Cidades eficientes e auto-suficientes não podem depender nem da autoridade pública – que não consegue ser eficiente – nem da iniciativa privada – que não quer ser eficiente. Compete às comunidades assumir a política local e tomar as providências necessárias a seu meio urbano.

Revolução Tecnológica já em curso está determinando os moldes de uma nova sociedade, uma nova forma de relacionar-se com o mundo e o meio ambiente, o que há de determinar também um novo tipo de habitat humano para abrigar essa sociedade. Parece certo que as pessoas viverão quase todas em cidades – mais do que hoje -, mas não na forma das cidades atuais.

Cada comunidade deve ser capaz de tratar seus próprios problemas a sua maneira, segundo suas condições ambientais. Autonomia local não tem qualquer conflito com a integração global. Na verdade, é quase um pré-requisito para que essa globalização seja harmônica com os interesses sociais. Não há dualidade entre o local e o global, mas coexistência. E será essa autonomia que permitirá às cidades desenvolver as mudanças necessárias.

Com a tecnologia atual de informação e comunicações é possível viver localmente e pensar globalmente, combinando autonomia e integração. Cada comunidade pode compartilhar boas práticas com qualquer outra ao redor do mundo, e adaptá-las conforme sua realidade. Essa seria uma verdadeira rede mundial de comunidades sustentáveis, capaz de redistribuir ideias e oportunidades de forma cooperada para a resolução dos problemas em comum.

Restabelecendo o foco em problemas reais e a autonomia das comunidades, as pessoas tendem a descobrir e compartilhar soluções essencialmente técnicas e cada vez mais eficientes. Além disso, o dinamismo de uma rede tende a multiplicar conhecimento e agregar esforços, em substituição ao conhecimento segmentado e os esforços concorrentes típicos do mundo atual.

Considerando aspectos atuais do nosso mundo – globalização da economia e das comunicações, avanço da tecnologia, tensões sociais, aumento da consciência política – a perspectiva para um futuro próximo é de uma sociedade mais dinâmica, auto-suficiente em suas necessidades básicas e colaborativa em suas inovações, organizada em uma grande rede distribuída e interdependente, conectada pela necessidade de uso sustentável dos recursos naturais do planeta – a herança comum a todos.

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