Perfil do MZ no Brasil – 2015

Avaliar o alcance do movimento e o perfil de seus membros e seguidores é uma tarefa bem complicada, visto que o MZ possui uma estrutura muito difusa e não registra/divulga boa parte das atividades desenvolvidas. Entretanto, é possível ter uma ideia desses parâmetros (ainda que superficial) através da observação dos dados das atividades da Fanpage no Facebook. Os dados que seguem foram coletados no dia 13 de Janeiro de 2016.

A fanpage tem mais de 30 mil curtidas, sendo estas curtidas indicadoras do número de seguidores (“fãs”) da página.

Fanpage MZ 15

Dentre os seguidores, somente 36% são do sexo feminino. A faixa etária predominante é de 25 a 34 anos (39% – 12% mulheres, 27% homens); 80% dos seguidores estão na faixa dos 18-44 anos.

FP MZ1

A maioria dos membros da fanpage encontra-se nas capitais dos estados do Brasil (embora seja provável que o algoritmo de análise do Facebook omita determinadas cidades que tenham baixo número de fãs). As cidades com maior quantidade de seguidores (n>1000) são capitais das regiões sul e sudeste. Quase todos são residentes do Brasil e falam português, mas há membros espalhados por todo o mundo, e que falam diversas línguas (de acordo com as informações que os mesmos registraram na rede social, não necessariamente estas informações refletem a realidade).

As publicações postadas na Fanpage atingem mais de 300 mil pessoas/mês (embora os dados disponibilizados pelo Facebook não deixem claro se os quantitativos se referem realmente ao número de pessoas ou ao número de visualizações das postagens – no segundo caso, uma mesma pessoa pode gerar várias visualizações). A faixa etária para a qual as publicações foram exibidas é bem similar à dos seguidores, predominando a faixa dos 25-34 anos. Em termos de exibição das publicações, há menor diferença entre os sexos do que a dos seguidores: 44% das exibições são para pessoas do sexo feminino, e  56% para pessoas do sexo masculino. Possivelmente as mulheres visualizam e/ou divulgam as postagens que recebem mais do que os homens, em termos proporcionais.

FP MZ 2

A localização das pessoas para as quais as publicações foram exibidas são bem similares à localização dos seguidores da Fanpage.

A maioria das pessoas que “se envolvem” com as publicações (curtem, comentam ou compartilham) são os próprios membros, mas este número é abaixo de 10 mil/mês, sendo bem menor do que a quantidade de seguidores (ap. 30 mil). Contudo, nas faixas etárias acima dos 35 anos, mais pessoas que não seguem a página se envolvem.

Fanpage MZ 11

O alcance da página do MZ no Facebook aumentou bastante ao longo de 2015, possivelmente devido à intensificação do número de postagens.

Fanpage MZ 12

Embora os dados sobre os membros e atividades do MZ sejam escassos, analisando o que há disponível, juntamente com dados disponibilizados pelo PNAD 2013 e o Censo 2010 do IBGE sobre a a população brasileira, é possível observar que:

- O uso predominante de uma plataforma digital restringe as populações que se consegue alcançar, visto que somente 50% da população brasileira tem acesso à internet, e destes, possivelmente nem todos fazem uso do Facebook.

- A população feminina, embora represente cerca de 51% da população brasileira, é sub-representada entre os seguidores da fanpage (36%).

- A população jovem (13-17 anos) provavelmente também está sub-representada no movimento (<2%), visto que no Brasil há aproximadamente 18% de pessoas nas faixas de 10-19 anos – o que chama ainda mais a atenção quando observa-se que o número de usuários de internet é muito superior à média brasileira na faixa de 15-17 anos (76%).

- A proporção de pessoas acima dos 45 anos (17%) está um pouco menos discrepante em relação à distribuição da população brasileira (ap. 27%), mas ainda assim sub-representada.

- A representatividade de pessoas entre 25 e 34 (39%) está bem superior do que a proporção da população brasileira nesta faixa (ap. 17%); de forma similar, embora menos discrepante, ao que ocorre para a faixa de 18 a 24 anos (23% de seguidores da fanpage, 9% da população brasileira entre 20 e 24 anos) e 35 a 44 anos (18% e 14%).

- Considerando que a maioria dos membros reside nas capitais, é provável que o movimento seja pouco conhecido em cidades do interior do Brasil (ainda que essa proporção de certa forma reflita a distribuição da população brasileira).

Esta breve análise, feita com os poucos dados disponíveis, permite perceber que o MZ falha em “atrair” determinados grupos (mulheres, adolescentes e pessoas acima de 45 anos) e/ou que homens entre 18 e 44 anos tendem a ter maior acesso às informações que possam encaminhá-los ao movimento – entre outras possibilidades de explicação do cenário observado. Não há dados disponíveis sobre os níveis socioeconômico e cultural, nem sobre o perfil étnico/cor dos membros, mas considerando-se que há um padrão de desigualdade territorial no país (também aqui), entre outros fatores, é bem provável que o MZ conte predominantemente com membros de cor branca e elevado nível socioeconômico – o que não reflete o perfil da maioria da população brasileira.

As observações, análises e conclusões proporcionadas por estes dados podem auxiliar o MZ e seus membros a repensarem métodos, estratégias e abordagens utilizados, na tentativa de elaborar novas formas de atuação que possam alcançar a população e os grupos que a formam de maneira mais homogênea, permitindo assim que as possibilidades de uma mudança de paradigma sejam conhecidas por todos os estratos da sociedade. Qual a sua sugestão?

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3 Responses

  1. William disse:

    Putz… muuuito bom! ;)

  2. Francisco Aureliardo Soares Rodrigues disse:

    Dentro do que foi apresentado a avaliação está coerente.
    Me preocupa mais com os jovens, talvez seja apenas falta de maturidade. O Perfil dos que já passaram dos 45 não gostam de mudar a ritina (não tenho pesquisa só intuição) não é o meu caso. Se eu estiver certo, para os jovens é questão de tempo, já para os coroas mesmo sendo um de 60, sinto que estes são muito resistentes, conversa não adianta.

  3. Time MZBlog disse:

    Porque o trabalho de tradução e de divulgação online de conteúdo é importante: cada vez mais pessoas utilizam celulares para ler textos, e apesar do acesso à internet para muitas populações ainda ser baixo, a UNESCO está buscando investir neste nicho para aumentar o acesso das pessoas à informação.

    Temos que pensar em formas do nosso conteúdo estar acessível também a estas pessoas.

    O documento é grande, mas a leitura da introdução já traz muita informação, especialmente nas páginas 15 e 16: http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002274/227436e.pdf

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