Terra perde metade de sua vida animal nos últimos 40 anos

O número de animais selvagens na Terra reduziu pela metade nos últimos 40 anos, de acordo com uma nova análise da WWF (World Wide Fund for Nature) e da Zoological Society of London. Seres vivos ao redor de terras, rios e mares estão sendo dizimados enquanto humanos matam por comida em números insustentáveis, poluindo e destruindo seus habitats.

“Se metade dos animais morressem no zoológico de Londres, seria matéria de capa na outra semana”, disse o diretor de ciência do Zoológico. “Mas isso está acontecendo lá fora. Esse estrago não é inevitável, mas uma consequência do modo que nós escolhemos viver.” lixo

“Nós perdemos metade da população animal, e saber que isso é ocasionado pelo consumo humano é claramente um chamado às armas e nós devemos agir agora”, disse o diretor de ciência da WWF. Ele disse que uma parcela maior da Terra deve ser protegida do desenvolvimento e desflorestamento, enquanto comida e energia deviam ser produzidas sustentavelmente.

Um indicador do novo relatório Living Planet calcula a “pegada ecológica” da humanidade, ou seja, a escala em que ela está usando os recursos naturais. Atualmente, a população global está cortando árvores mais rápidamente do que elas podem ser replantadas, pescando mais rápido do que o oceano pode reabastecer, bombeando água de rios e aquíferos mais rápido do que a chuva pode preenchê-los, e emitindo mais dióxido de carbono do que oceanos e florestas podem absorver.

O relatório conclui que o consumo médio global hoje precisaria de 1.5 planetas Terra para sustentar a Terra. Porém, quatro planetas seriam precisos para sustentar o nível de consumo dos EUA, ou 2.5 Terras para equiparar o nível de consumo do Reino Unido.

O maior declínio entre populações animais foi encontrado em ecossistemas de água fresca, onde números despencaram em 75% desde 1970. “Rios são o final do sistema”, disse o conselheiro de água doce da WWF. “O que quer aconteça na terra, acaba terminando nos rios.” Por exemplo, dezenas de bilhões de toneladas de efluentes são despejados no rio Ganges (India) todos os anos.

Assim como a poluição, as barragens e o aumento da captação de água causam danos ao sistema de água doce. Existem mais de 45.000 grandes barragens – 15m ou superior – em todo o mundo. Enquanto a população cresceu quatro vezes no século passado, o uso da água subiu sete vezes. “Estamos vivendo vidas cada vez mais sedentas”, disse ele.

Mas enquanto espécies de água doce, como a enguia europeia e a salamandra americana deixaram de existir, recuperações também foram vistas. Lontras foram quase extintas na Inglaterra, mas graças aos esforços de conservação agora elas vivem em todos os países.

O número de animais vivendo em terra caiu 40% desde 1970.  Desde elefantes na África Central aos gibões em Bangladesh, a destruição de habitat viu populações caírem. Mas esforços intensivos de conservação podem contornar a extinção, como aconteceu com os tigres no Nepal.

Populações marinhas também caíram 40% no geral, com tartarugas sofrendo em particular. Caça, destruição de ninhos e afogamento em rede de peixes diminuiu o número de tartarugas em 80%. Alguns pássaros foram fortemente afetados também. O número de perdizes no Reino Unido caiu em 50% desde 1970 em razão da intensificação da agricultura, enquanto maçaricos na Austrália perderam 80% de seu número em 20 anos até 2005.

O maior número de declínio animal tem sido visto em países emergentes de baixa renda, enquanto esforços de conservação em nações ricas têm visto pequenas melhoras. Mas o grande declínio na vida selvagem em nações ricas já havia ocorrido muito antes do relatório base de 1970 – o último lobo do Reino Unido foi morto em 1680.

Além disso, ao importar comida e outros bens produzidos via destruição de habitat em nações emergentes, as nações ricas estão “terceirizando” o declínio de vida selvagem para aqueles países. Por exemplo, um terço de todos os produtos de desmatamento – como madeira, carne e soja – foram exportados para a União Europeia entre 1990 e 2008.

David Nussbaum, diretor executivo da WWF-Reino Unido, disse: “A escala da destruição destacada neste relatório deve ser uma chamada para todos nós. Mas 2015 – quando os países do mundo precisarão se reunir para chegar a um acordo sobre um novo acordo climático global, bem como um conjunto de metas de desenvolvimento sustentável – nos apresentará uma oportunidade única para inverter as tendências. Nós todos – políticos, empresas e pessoas – temos um interesse e uma responsabilidade de agir para garantir o que nós todos valorizamos: um futuro saudável para as pessoas e a natureza.”

Para saber mais e ler a matéria original do The Guardian na íntegra (em inglês), clique aqui.

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3 Responses

  1. Augusto disse:

    É impresionante como crescem o numero de programas, como desafio em dose dupla, onde caçam por entretenimento. Eles destroem como fazem os caçadores comerciais. E mesmo assim, todo dia em algum lugar do mundo nasce um programa deste, onde o ser humano se coloca em perigo para caçar animais selvagens por entretenimento.

  2. Florene disse:

    Nossa gostei muito, esse site aqui manda muito bem.
    a equipe esta de parabens, recomendo.
    vou compartilhar no facebook.

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