Uma Economia Baseada em Recursos: Um Estudo da Vida Real de Culturas Isoladas

Traduzido a partir do original em inglês “A resource-based economy: A real life study of isolated cultures”.

anuta

Eu estava assistindo a um documentário da BBC sobre o Pacífico Sul, no qual são mostradas diferentes ilhas isoladas deste oceano e como elas têm sobrevivido com pouco ou nenhum contato com o mundo moderno. O programa apresentou a fascinante Ilha de Páscoa, com suas famosas estátuas de pedra chamadas Moai.

A Ilha de Páscoa era florescente em seus primeiros anos de colonização humana, com largas florestas e grandes colônias de aves. Mas, com o excessivo corte de árvores e caça de aves, muito da floresta frondosa e todos os pássaros nativos vieram à extinção. Esse processo foi forçado principalmente pela competição entre as tribos nativas quanto a qual delas iria criar a maior estátua de pedra, já que eles precisavam das árvores para transportar as estátuas pela ilha. Essa ignorância do conceito de conservar os recursos existentes resultou em um grave declínio da população e teve um impacto extremo na sobrevivência dos habitantes nativos e das gerações futuras. Hoje, a Ilha de Páscoa ainda se encontra despida das antigas e poderosas florestas.

O documentário seguiu em frente para examinar outra ilha isolada do Pacífico Sul, chamada Anuta. Anuta tem praticamente as mesmas condições da Ilha de Páscoa, isolada e vulnerável, com seus recursos limitados. A diferença entre Anuta e a Ilha de Páscoa é, principalmente, a atitude cultural. Enquanto as antigas culturas da Ilha de Páscoa tinham uma atitude competitiva uma com a outra e pouco respeito pelos recursos existentes, a população de Anuta é o oposto. Consideração pelos outros é a espinha dorsal do povo anutano. Eles têm uma filosofia chamada ‘Aropa’, que é um conceito de doar e compartilhar com os outros, e é um guia de como se relacionar. Um exemplo dessa filosofia é que toda família na ilha recebe uma unidade de terra para cultivar comida para alimentar-se e também àqueles a sua volta. Eles estão bem cientes da escassez de recursos e da importância de cuidar um do outro. Eles sabem o que têm de fazer a fim de sobreviver e prosperar.

É bastante óbvio qual atitude cultural é a mais sustentável. Os fatos e os exemplos da vida real estão aí. Competição e crescimento infinito dentro de um sistema finito não eram, não são e jamais serão sustentáveis. Se ao menos pudéssemos aprender com as experiências dessas ilhas isoladas, poderíamos mudar a inevitável destruição de nossa ecologia, que vem sendo preparada para nós pelo corrente sistema de mercado monetário.

Publicado em 17 de março de 2012 por Mikael Wafin no blog oficial do Zeitgeist Movement.

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3 Responses

  1. Luiz H. disse:

    Obrigado por chamar a atenção para esse documentário. Ele é, podemos dizer, raro, pois o pacífico sul é um dos ambientes mais isolados do planeta. No seu artigo eu consegui destacar dois pontos. O primeiro é o fato bem “fora da moda” de tribos nativos destruírem o próprio ambiente, essa informação é bastante interessante, pois rompe com a generalização de que desflorestamentos seja uma exclusividade de sociedades industriais (claro que a intensidade entre ambos os casos é incomparável, mas a mentalidade é ainda mais importante do que as dimensões!!!), nos mostrando que o comportamento em si é algo muito complexo. O outro, é por que motivo, já que temos detalhes dos acontecimentos, não usamos esse conhecimento para evitar que o mesmo ocorra em todas as outras partes do mundo ? ? ? Em um comparação, nossa “civilização global” segue em sua grande maioria o triste exemplo da Ilha de Páscoa, e não da ilha Anuta, que possui um modelo sustentável que é uma ótima referência. As condições de vida tornarem-se, de acordo com o documentário, hostis ao extremo, causando obstáculos à evolução de todos os habitantes daquele lugar, e ainda prejudicou as próximas gerações, pois ninguém foi capaz de perceber, ainda que fosse muito claro, o rumo suicida que estavam tomando. Pois bem, agora, como espécie, estamos em situação muito delicada, correndo riscos, ouso dizer, ainda maiores, pois nosso sistema está direcionado para isso. Não há outro conclusão: temos de evitar esses riscos existenciais, começando um sistema socioeconômico a partir do zero, sendo tendo em conta as limitações de nosso ambiente, e que o método científico e tecnologia, devem ser desenvolvidos com esses objetivos em mente. Economia Baseada em Recursos ou, muito provavelmente, uma época com muitos fatores negativos para as nossas necessidades de sobrevivência .

    • Graciela Kunrath Lima disse:

      Oi Luiz!

      Nós que agradecemos pela sua participação e apoio!

      Com certeza, é difícil entendermos como a maioria das pessoas não percebe ou não se importa com o rumo que seguimos. Infelizmente o “sistema” parece ter desenvolvido mecanismos de “auto-proteção” que tornam as pessoas cegas ao óbvio. Um dos objetivos do MZ é justamente o de tentar ajudar as pessoas a perceberem e intervirem nesta realidade para que possamos desfrutar de um futuro mais digno. Os exemplos do documentário e do texto podem ser boas ferramentas para auxiliar neste processo.

      Abraço!

  2. Vitor disse:

    O problema é que o mundo era “infinito” e agora está cada vez mais finito. Outra coisa é a consciência desse tamanho. Numa ilha você vê o real tamanho e a necessidade de ser sustentável (Anuta, com menos de 0,5 km2 e pouca gente) a outra é bem maior (163,6 km2 e com mais gente), mais difícil enxergar essa necessidade.

    A necessidade local de ser sustentável não atinge ainda todos os lugares do mundo. Mesmo assim, não acho que há necessidade de que haja essa necessidade, tanto se tratando desastres ecológicos quanto de quebra do sistema para colocar outro no lugar. O sistema pode mudar porque as pessoas estão encontrando melhores métodos de “administração da sua casa”, e estão cada vez mais conectados comunicativamente (precisa mais). A homeostase pode ocorrer de maneira menos cruel, digamos assim.

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